Porto Feliz, SP, 04 (AE) - Os sem-terra do Acampamento "Nova Canudos" esperam resolver logo a situação dos sete militantes presos na Cadeia Pública de Porto Feliz, na região de Sorocaba, para deixar o município, transferindo o acampamento para a região de Bauru, no centro-oeste do Estado. Os presos são acusados de participação nos saques contra três caminhões de alimentos, ocorridos na semana passada, na Rodovia Castelo Branco. Segundo o coordenador do "Nova Canudos", João Paulo Rodrigues, a situação das 1.200 famílias acampadas é muito precária em razão da falta de gêneros de primeira necessidade, como leite, pó de café, material de higiene e água potável.
Hoje eles receberam a água de um caminhão-tanque da prefeitura de Porto Feliz, mas o líquido tem andado em falta, segundo ele. A falta de terras para assentamento na região é outro motivo. Nas proximidades de Bauru, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), numa ação conjunta com a Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, está arrecadando perto de 70 mil hectares para assentar sem-terra, segundo o coordenador. "Os acampados estão querendo ir para lá, mas a decisão depende de resolver o problema dos presos." Até hoje, os advogados dos militantes presos não haviam entrado com o pedido de soltura no fórum local. O funcionamento da repartição foi normal e a nova manifestação de protesto prometida pelos sem-terra não aconteceu. Eles foram informados de que a juíza Daniela Bortoliero Ventrice não estava dando expediente.
A Polícia Militar continua protegendo o fórum e a cadeia. A juíza Daniela Bortoliero Ventrice explicou que não mandou prender os sem-terra. Eles foram presos em flagrante com alimentos saqueados dos caminhões, junto com outras 13 pessoas. Só não foram libertados porque um deles, o professor universitário Marcelo Buzetto, foi reconhecido pelo motorista do caminhão que transportava macarrão. Os outros têm antecedentes criminais. A deputada federal Iara Bernardi (PT/SP), disse que o MST já recorreu a uma instância superior para tentar libertar os presos.

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