Sem-terra encerram marcha
Das agências
De São Paulo
Cerca de 700 trabalhadores sem-terra fizeram uma marcha ontem em São Paulo, encerrando uma manifestação de mais de duas semanas para pedir mais terras ao governo. Famílias inteiras percorreram 350 quilômetros a pé, para pressionar o governo.
Os manifestantes representam 5 mil famílias que esperam há três anos que o governo lhes entregue terras, explicou Rosi Valdo de Paula, dirigente do MST. Nosso objetivo é que se cumpra a Reforma Agrária. O povo está cansado de pedir e esperar, reclamou o dirigente. Ele lidera uma marcha de 380 pessoas que deve se unir a um segundo grupo, de outras regiões do Estado, com cerca de 300 sem-terra.
Aos 92 anos, o sem-terra Luiz Beltrão de Castro é conhecido como o do livro dos recordes, porque já participou das principais marchas organizadas no Brasil, com mais de 1.800 quilômetros caminhados em luta pela terra para os trabalhadores rurais. Luiz Beltrão caminhou à frente da marcha de 700 camponeses, que terminou ontem em São Paulo, após duas semanas na estrada.
A terra é muito importante para nós, porque nos permite viver, e por isso é para mim uma obrigação moral continuar caminhando, afirmou Luiz, ainda animado após duas semanas de marcha, dormindo precariamente.
Filho de camponês mas que nunca teve propriedade, Luiz conseguiu do governo há apenas alguns anos um pedaço de terra para seu filho e agora continua participando das marchas por solidariedade com seus companheiros que ainda esperam um pedaço de terra do governo. De 1996 para cá participei de seis marchas, conta ele.





