Sem-terra e PMs ficam feridos durante desocupação de fazenda no PR; 35 foram presos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 25 (AE) - Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas e 35 foram presas, hoje pela manhã, durante reintegração de posse da Fazenda Figueira, no município de Guairaçá, a 540 quilômetros de Curitiba, no noroeste do Paraná. Até o fim da tarde, quatro pessoas, entre elas uma criança, continuavam internadas na Santa Casa de Paranavaí. Outro criança era mantida em observação, no mesmo hospital, por ter sido atingida por um tiro de bala de borracha no tórax.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) disse que três pessoas estavam em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas o hospital negou a informação. O caso mais grave era de uma pessoa que levou uma pancada na cabeça, mas não corria risco de morte. Na Santa Casa foram atendidas 12 pessoas, entre elas dois policiais. Segundo a PM, os outros feridos, a maioria com arranhões, foram atendidos no próprio acampamento. Ainda segundo a polícia, três policiais receberam tiros de espingarda.
A operação já era esperada pelo MST. "As famílias passaram a noite em vigília", disse o coordenador do movimento Ubiraci Stesko. "Elas estavam preparadas para resistir". A polícia disse que os sem-terra aguardavam o despejo com coquetéis molotov, armas de fogo e foices. Os presos estão sendo acusados de resistência à ordem judicial, ação violenta e porte ilegal de arma. Até o fim da tarde, a polícia ainda não tinha divulgado o número de armas apreendidas.
Tensão - De acordo com o MST, a polícia fechou a estrada, a 15 quilômetros do acampamento, por volta das 3 horas da madrugada. Segundo Stesko, somente por volta de meio-dia foi permitida a passagem de advogados do movimento. A polícia disse que a reintegração foi feita às 8h30, com o emprego de 650 policiais. Da fazenda foram retiradas 384 pessoas. As famílis foram levadas de ônibus para os locais de origem.
A Fazenda Figueira, conhecida entre os sem-terra como Cobrinco, tem 3,4 mil hectares e pertence aos herdeiros do Grupo Bradesco. Segundo o MST, ela foi considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em vistoria realizada entre 1997 e 1998 e estava ocupada havia cinco meses. Na superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não havia nenhum diretor que pudesse confirmar a informação.
Além da Fazenda Figueira, também foi desocupada a Fazenda Filomena, onde não houve registro de confronto. Ameaças - O MST também denunciou hoje que o advogado da Comissão Pastoral da Terra no Paraná, Darci Frigo, recebeu ameaças de morte. Ele teria recebido um telefonema, por volta das 6h30, em sua casa, em que uma voz masculina disse que, se saísse de casa, não voltaria.


