Sem-terra e madeireiros são presos por crime ambiental em assentamento no PR
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 22 (AE) - O delegado de Laranjeiras do Sul, a 370 quilômetros de Curitiba, Ítalo Biancardi Neto, prendeu hoje o sem-terra Valentim Vodginski, o caminhoneiro Claudemir Antonio Alves e a filha do proprietário da Serraria Alta Floresta, Sônia Erenice Castanho. Eles são acusados de crime ambiental na área do assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu. A polícia ainda procura o dono da serraria, Pedro Castanho. A serraria foi interditada e um caminhão carregado de madeira nobre apreendido.
O corte ilegal de madeira na antiga fazenda Pinhal Ralo, que se transformou em assentamento depois de a área de 16.852 hectares ter sido comprada em 97 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), começou no mesmo ano. Reportagens da época denunciavam o desmatamento e a matança de animais, cuja carne era vendidas em bares. Desde aquela época o Incra e os sem-terra vinham recebendo notificações do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Ação - "O Incra ainda é o dono da área e é co-responsável", disse o presidente do IAP, José Antonio Andreguetto. Hoje o superintendente regional do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, não estava em Curitiba. Nos últimos três meses, o IAP decidiu intensificar a fiscalização emitindo cerca de 50 multas e vários embargos para serrarias. Além de pedir a interferência do Ministério Público, o IAP entrou na Justiça com uma ação civil pública e hoje, em razão dessa ação, policiais e técnicos do instituto estiveram na serraria, que fica dentro do assentamento e, de acordo com a polícia, é clandestina.
Enquanto Sônia Castanho era presa por crime ambiental, chegaram o caminhoneiro, com um carregamento de madeira, e o sem-terra que pretendia comprar tábuas para o assoalho de sua casa. "Todos contribuíam para o crime", justificou o delegado. O caminhoneiro também foi autuado por porte ilegal de arma. Ele estava com um revólver calibre 38 com a numeração raspada, além de munição
Inquérito - O delegado disse que não iria arbitrar fiança, pois os presos feriram vários dispositivos da lei ambiental. Ele deve enviar o inquérito para a Justiça comum e para a Federal. A serraria foi interditada e o caminhão apreendido, assim como a carga, formada por madeiras nobres, como cedro e marfim.
O presidente do IAP disse que mais de um terço das áreas invadidas por sem-terra no Paraná têm problema ambiental. Ele espera que a prisão dos infratores e a colocação em leilão dos caminhões e das cargas desestimule novos crimes. Segundo ele, somente do assentamento de Rio Bonito do Iguaçu saíram cerca de 250 caminhões carregados de madeira nos últimos meses.
Em São Pedro do Iguaçu, na região oeste, o IAP também conseguiu que três caminhões fossem apreendidos e que o Ministério Público iniciasse um processo de investigação no local conhecido como área dos Quatrocentos, de 726 hectares, dos quais 70% são mata nativa. Várias pessoas já foram autuadas pelo IAP.


