Sem-terra e agricultores invadem sede do Ministério da Fazenda no RS
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quarta-feira, 03 de março de 1999
por Sandra Hahn 
Porto Alegre, 4 (AE) - Mais de três mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) invadiram esta manhã o edifício do Ministério da Fazenda no Rio Grande do Sul. O procurador regional da União na 4a região, José Diogo Cyrillo da Silva, informou que vai apresentar ainda hoje uma liminar com caráter de urgência à Justiça Federal pedindo a reintegração de posse do prédio.
O procurador regional aguarda decisão judicial para desocupar o edifício nas primeiras horas da tarde. O integrante da direção regional do MST Ailton Croda disse que os manifestantes pretendem permanecer no Ministério da Fazenda e na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária no Estado, que foi invadido na terça-feira, até que sejam marcadas audiências com os ministros da Fazenda, Agricultura e Política Fundiária.
Cerca de 1.500 militantes do MST estão na sede do Incra, que também pode ser desocupada por ordem judicial esta tarde.
O líder nacional do MST João Pedro Stedile, que participa da invasão ao edifício do Ministério da Fazenda, disse esta manhã, em entrevista à Rádio Gaúcha, que o objetivo do ato é "denunciar os cortes que o governo Fernando Henrique fez em todos os gastos sociais, na saúde, educação e reforma agrária".
Stedile afirmou que a condição para desocupar os edifícios invadidos em Porto Alegre é obter audiência com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para pedir a suspensão de cortes no Programa de Crédito Especial de Reforma Agrária (Procera) e Pronaf.
Cyrillo da Silva esteve no edifício do Ministério da Fazenda pela manhã e disse que um dos vidros da porta principal foi quebrado durante a invasão."Estamos agindo no estrito cumprimento das leis brasileiras, na defesa do patrimônio público", afirmou, sobre a ação judicial. Segundo o procurador regional, os manifestantes bloquearam as escadarias de acesso ao prédio e ocuparam o saguão. Cyrillo da Silva informou que, depois de concedida a liminar, a desocupação poderá ser realizada pela Brigada Militar (a PM gaúcha) ou pela Polícia Federal.


