A Polícia Militar de Pernambuco responsabilizou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela morte do sargento Reideclíldon Paulo da Silva, 28 anos, que morreu afogado, na madrugada de ontem, no açude Mané da Seda, próximo ao acampamento dos sem-terra na Fazenda Zumbí, no município metropolitano de Igarassu.
A assessoria de comunicação da PM informou, por meio de nota, que o sargento morreu ‘‘ao tentar se livrar do ataque, a tiros, praticado por cerca de 50 integrantes do MST’’. Disse ainda que o sargento e outros dois soldados, todos de folga, estavam no local pescando, acompanhados de um professor de musculação. De acordo com a nota, quatro espingardas calibre 12 foram encontradas no acampamento. Cinco trabalhadores sem-terra foram presos como suspeitos.
O advogado do MST-PE, João Arnaldo Novaes, rebateu as acusações e acusou a assessoria de imprensa da PM de ter uma atuação voltada para encobrir os excessos da polícia. Ele considerou uma ‘‘mentira’’ a explicação de que os policiais estavam pescando e negou a existência de armas no acampamento. Para ele, a polícia ‘‘plantou’’ as espingardas no local. O advogado também levantou a suspeita de que policiais militares tentaram fazer uma ação de despejo ilegal a serviço do proprietário da fazenda.
O delegado de Cruz de Rebouças, bairro de Igarassu, José Isolino Neto, abriu inquérito para apurar a morte do policial. Ele ouviu e depois liberou os sem-terra presos pela PM por falta provas da ligação da morte do sargento com os trabalhadores. Ele disse não haver marcas de tiro no corpo do policial e, depois de ter ido ao acampamento - já vazio -, afirmou não ter percebido evidências de ocorrência de tiroteio. Quanto às espingardas apreendidas, o delegado disse que não há como afirmar que elas pertencessem aos acampados.
Para a polícia, os policiais e o professor que pescavam no açude jogaram-se dentro da água para escapar da agressão a tiros pelos sem-terra. Os que escaparam acionaram a PM que mandou viaturas ao local.
Na versão do MST, um tenente PM foi ao acampamento anteontem - um dia depois da ocupação da fazenda - e teria avisado aos sem-terra que a polícia poderia tirá-los à força do local até 48 horas depois da ocupação, independente da expedição de ação judicial de reintegração de posse.
Depois de descoberto o acidente com o sargento, ontem de madrugada, homens armados teriam invadido o acampamento já atirando. Logo depois chegaram viaturas da PM à procura do sargento morto. Os policiais teriam revistado e destruído o acampamento.
Os cerca de 80 sem-terra que ocuparam a Fazenda Zumbí foram despejados há cerca de dois meses de um outro acampamento, no Engenho Pasmado, também em Igarassu. O MST denuncia o rapto de um sem-terra, naquele engenho, há cerca de três meses. (A.E.)

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