Sem-terra driblam policiais para participar de atos
Agência Estado
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começaram a chegar ontem a Porto Seguro, onde pretendem participar hoje de atos paralelos às comemorações oficiais dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.
Para driblar as barreiras policiais montadas nos principais acessos à cidade, os sem-terra estão se deslocando desde a madrugada de ontem em carros pequenos, em grupos de no máximo quatro pessoas.
No entanto, a maior parte dos sem-terra chegará hoje a Porto Seguro em uma caravana de 30 ônibus proveniente de Eunápolis, a 50 quilômetros da cidade, onde estão acampados cerca de dois mil integrantes do MST.
Eles só vão entrar na cidade se houver um acordo entre a liderança do movimento e o governo do Estado, afirmou o coronel Cristóvam Pinheiro, porta-voz do comando da Polícia Militar. E mesmo assim só passarão pelas barreiras se não estiverem carregando foices e facões.
Integrante da coordenação nacional do MST, Valmir Assunção, disse ontem que as barreiras policiais não o assustam. Se formos parados nas barreiras vamos fechar a estrada, ameaçou. Nós não passamos e ninguém mais passa. Assunção garantiu, no entanto, que o objetivo dos integrantes do MST é ir à cidade fazer uma manifestação pacífica e não promover o confronto.
Queremos apenas participar dos eventos paralelos; a Constituição nos permite isso, afirmou. Não vamos perturbar a festa dos ricos, mas sim protestar, em um espaço diferente, contra os 500 anos dos latifúndios.





