Rio, 19 (AE) - Uma carta dirigida ao Consulado Americano protestando contra a intervenção do Banco Mundial e do FMI na política econômica do Brasil e nas questões agrárias foi forma que, pelo menos, 50 integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) encontraram para lembrar o terceiro ano da morte de 19 trabalhadores no massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. Os manifestantes foram recebidos pelo cônsul de Assuntos Econômicos
Carl Sch”nander.
A manifestação dos sem-terra começou, no final da manhã, na porta do Tribunal de Justiça no Rio, no centro. Os integrantes carregando os nomes das 19 vítimas em cruzes estilizadas e nas faixas com os dizeres "Chega de Impunidade e "Não ao branco da terra e pela reforma agrária" criticaram a política do governo nas questões agrárias.
"O governo está pegando emprestado do Banco Mundial US$ 1 bilhão para comprar terras e vender", disse a dirigente do MST do Rio, Marina dos Santos, de 25 anos, referindo-se à criação do banco da Terra pelo governo federal, na semana passada. Segundo Marina, a proposta do governo é terminar com as desapropriações e transformar a questão agrária na compra e venda de terras.
"Essa política não vai dar certo, porque o projeto piloto - chamado Cédula da Terra - realizado durante dois anos nos estados do Ceará, Pernambuco e Bahia, demonstrou que políticos viabilizam a compra de terras em troca do apoio eleitoral dos fazendeiros", ressaltou a dirigente do MST.
Do tribunal de Justiça, os manifestantes partiram em caminhada pela Avenida Antônio Carlos, uma das principais do centro do Rio, até o Consulado Americano. Eles não puderam ser recebidos pelo cônsul americano, Cristobal Orozco, que estava em reunião. Amanhã (20), eles realizam outro protesto na porta do Banco Central, no centro do Rio, contra a política econômica e agrária do presidente Fernando Henrique Cardoso.

mockup