Presidente Bernardes, SP, 25 (AE) -Com a invasão da Fazenda Guarani, promovida no domingo em Presidente Bernardes, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) deu início a uma nova investida de ocupações de propriedades rurais no Pontal do Paranapanema. O objetivo é forçar o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) a adquirir pelo menos 16 áreas consideradas devolutas localizadas naquele município, para novos projetos de assentamentos.
A informação foi dada pelo coordenador nacional do MST, Cledson Mendes, que classificou a invasão como o ponto de partida de uma nova escalada de ações que deverá ser intensificada a partir de abril.
Na quarta-feira, o líder José Rainha Júnior reuniu-se com quatro fazendeiros, donos de propriedades vizinhas à Guarani
e deixou clara sua posição: "Todos os títulos de propriedade dessa região são de origem duvidosa e, se não houver acordo, saberemos o que fazer", disse.
Durante o encontro, Rainha informou que acabara de conversar com a coordenadora do Itesp, Tânia Andrade, e obtivera dela o compromisso de iniciar conversações com fazendeiros que estão dispostos a entregar suas áreas. O próprio Rainha intermediou um encontro entre os fazendeiros e o assessor do Itesp, João Bonadio, realizado em Presidente Prudente.
Recursos - De acordo com Cledson Mendes, o Itesp possui pelo menos R$ 20 milhões em recursos repassados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que terão de ser usados para o pagamento de benfeitorias em terras públicas reivindicadas pelo Estado para a instalação de assentamentos.
A estratégia do movimento para pressionar a aquisição de terras prevê a concentração de seus principais líderes, entre eles Rainha, na mobilização de novos contingentes de trabalhadores, que estão sendo arregimentados nas cidades da região.
O pecuarista Rogério Sapia, dono da Fazenda Santa Isabel
de 264 hectares, uma das áreas vizinhas à Guarani, que é paraplégico, já anunciou não estar disposto a vender sua propriedade. "A fazenda foi adaptada às minhas condições de saúde e é meu único meio de vida", disse ele, que participou da reunião com Bonadio e informou que, durante o encontro, o assessor se comprometeu a mandar fazer a vistoria das terras no prazo de 15 dias, para, só depois, iniciar entendimentos visando a sua aquisição.
Na reunião, o líder do MST desaconselhou o uso de armas para proteger as propriedades. Referindo-se a informações de que seguranças de uma das fazendas vizinhas à Guarani teriam atirado para intimidar os sem-terra, Rainha disse que "o armamento não vai contribuir e, se alguém morrer num desses confrontos, a situação se tornará mais grave, pois certamente isso não vai parar por aí". Na invasão da Guarani, de 532 hectares, segundo Mendes, foram mobilizadas cerca de 300 pessoas procedentes de Pirapozinho, Presidente Prudente, Costa Machado e Ouro Verde.

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