Sem-terra do Paraguai suspendem invasões
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012
Marina Guimarães <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - Os sem-terra do Paraguai, conhecidos como carperos, vão suspender por uma semana a invasão de terras produtivas de brasileiros na região do Alto Paraná, na fronteira do país com o Brasil. Em assembleia de cerca de três horas, realizada na noite de sábado, os campesinos decidiram dar uma trégua e aguardar uma solução do governo paraguaio, como solicitado pelo presidente Fernando Lugo. ''Vamos permanecer no acampamento durante essa semana para que o governo solucione o problema do assentamento'', disse um dos líderes do movimento, Federico Ayala, em entrevista por telefone à Agência Estado.
''Esperamos que o governo nos dê uma resposta favorável para que tenhamos uma permissão escrita para ocupação destas terras, onde nos encontramos'', detalhou. ''Nosso pedido é para que o governo exija a devolução ao Estado de 167 mil hectares ocupados ilegalmente pelos brasileiros'', afirmou Ayala, referindo-se aos produtores brasileiros e descendentes de brasileiros instalados na região, chamados de ''brasiguaios''.
Na última quarta-feira, os sem-terra invadiram propriedades rurais localizadas no município de ¥acunday, e ameaçavam avançar em fazendas de Santa Rosada de Monday e IruÀa, para forçar os brasiguaios a abandonarem suas terras.
''O governo se comprometeu a pedir aos estrangeiros os títulos de propriedade para verificar se são autênticos e vamos esperar que essa verificação seja realizada na próxima semana'', disse Ayala. Os sem-terra defendem a revisão dos títulos das propriedades rurais adquiridas nos últimos 40 anos. O processo envolveria cerca de 10 mil produtores rurais brasileiros que possuem terras na região. Para os sem-terra, as fazendas foram adquiridas ilegalmente.
Legalidade
Após encontro, semana passada, com os carperos, o presidente Fernando Lugo analisou a situação com seus principais ministros e assessores relacionados à questão agrária em reunião no sábado de manhã, na residência oficial, em Assunção. Ao fim do encontro, o ministro-chefe do Gabinete Civil, Miguel López Perito, informou que o presidente fará um pronunciamento sobre o conflito hoje. López Perito antecipou que a solução ocorrerá dentro da lei.
A atitude do governo não foi suficiente para acalmar os brasileiros ameaçados pela invasão. ''A promessa tranquilizará na medida em que for efetiva. Se só fala e não faz, não resolve nada'', disse à Agência Estado o gerente-geral da Cooperativa de Produtores de Naranjal (Copronar), com sede a 50 quilômetros de Santa Rosa de Monday, Sergio Luis Senn. Os brasiguaios representam 85% dos produtores da cooperativa.
''O governo disse que irá tratar do assunto respeitando a legalidade e que vai cumprir a ordem legal de desalojar os carperos que invadiram as terras dos brasiguaios, mas para isso pediu tempo e isso gera apreensão'', afirmou. ''Não sabemos se esse prazo pedido para cumprir a lei é somente uma manobra para ganhar tempo ou se é mesmo para fazer o levantamento da situação na região'', emendou.


