Sem-terra desocupam sede do Incra-PE e negociam reivindicações com representantes do órgão
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Lúcia Maria Dias, especial para a AE 
Recife, 27 (AE) - Após interditar por cerca de seis horas uma das avenidas mais importantes do centro do Recife, provocando um grande congestionamento, os trabalhadores rurais sem-terra que há três dias ocupavam o pátio da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife, decidiram deixar o local, hoje à tarde. Amanhã (28), os sem-terra reúnem-se com representantes do instituto e da Secretaria Estadual de Produção Rural para discutir suas reivindicações: vistorias, desapropriações e crédito.
O superintendente regional do Incra, Roosevelt Gonçalves
atribuiu a ocupação do prédio e a interdição da avenida à precipitação dos manifestantes. "Eles não precisavam fazer isso
porque essa reunião de amanhã já estava agendada e é o espaço adequado para resolver as questões", disse Gonçalves. Mas para o coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST-PE), Jaime Amorim, a movimentação dos sem-terra durante esta semana fortalece o grupo. "Fechamos um acordo com o governo do Estado para essa reunião e vamos para ela mostrando que queremos negociar efetivamente e fazer a reforma agrária acontecer", afirmou.
Durante os três dias da ocupação, a sede do órgão no Recife permaneceu fechada. A medida foi determinada por portaria ministerial referente a invasões de órgão públicos. Enquanto isso, o superintendente regional do Incra aguardava a expedição de mandado de reintegração de posse da sede do órgão pela Justiça. Já o MST-PE entrou com representação no Ministério Público contra o que chamava de "abandono do posto de trabalho" pelos funcionários do instituto. Bloqueio - Pela manhã, cerca de mil trabalhadores rurais interditaram o tráfego da avenida Conselheiro Rosa e Silva, uma das mais importantes do bairro do Espinheiro, durante seis horas. O bloqueio, iniciado às 10 horas, provocou congestionamentos em toda a região. Um efetivo de cem homens da Polícia Militar, entre grupos do Batalhão de Choque, de área, de Trânsito e da Cavalaria, permaneceu no local durante todo o dia. A chegada dos policiais provocou um início de tumulto e uma viatura policial foi depredada, mas não houve prisões.
Negociação - Em Petrolina, a ocupação da sede do Incra por cerca de 600 trabalhadores teve efeitos mais rápidos. Eles negociaram com a delegação do órgão, ontem, a realização de vistoria em 50 áreas para desapropriação e a liberação de crédito e custeio aprovados no ano passado. Já em Serra Talhada, os 80 trabalhadores acampados na sede do Dnocs continuam esperando pela negociação.


