Sem-terra desocupam prédios do Itesp
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 22 (AE) - As l.200 famílias que invadiram ontem (21) sete prédios do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em cidades do Pontal do Paranapanema começaram a desocupar os imóveis às l5h de hoje. A decisão foi adotada pelos sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) depois que a Procuradoria Geral do Estado entrou com ações de reintegração de posse dos imóveis, obtendo liminares para a retirada dos invasores em Presidente Prudente e Presidente Venceslau. Eles também ocuparam as sedes do órgão em Mirante do Paranapanema, Teodoro Sampaio, Primavera, Presidente Bernardes e Euclides da Cunha.
O principal líder dos sem-terra do Pontal, José Rainha Júnior, disse que a decisão de deixar os prédios do Itesp foi tomada pelo fato de o movimento considera satisfatórios os resultados da ação. O objetivo principal dos manifestantes era protestar contra a política de reforma agrária do governo do Estado na região.
Rainha disse que a ocupação dos prédios chamou a atenção das autoridades estaduais para os problemas dos assentamentos do Pontal, onde há problemas sérios de infra-estrutura. Rainha pretende pedir audiência ao governador Mário Covas para apresentar as reivindicações do MST para a região.
Em São Paulo, a diretora executiva do Itesp, Tânia Andrade, acusou o MST de ter promovido "invasões descabidas e absurdas". Ela rebateu as críticas dos sem-terra em relação aos serviços prestados pelo órgão no Pontal e acusou a liderança do MST de tentar forçar os técnicos a definirem projetos agrícolas de interesse de sua cooperativa em Teodoro Sampaio. "O MST quer forçar os assentados a plantar apenas as lavouras que vão beneficiar sua cooperativa", disse.
O Procurador do Estado em Presidente Prudente, José Roberto Fernandes Castilho, disse que a disposição dos sem-terra de deixar pacificamente os escritórios, depois da concessão de liminares em Prudente e Venceslau, evitou que fossem impetradas ações de reintegração de posse para a desocupação das demais instalações do Itesp.


