Sem-terra desocupam Incra-PA
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 01 (AE) - Os 110 trabalhadores rurais que ocuparam hoje a sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra,) em Belém, deixaram o prédio no início da noite. Porém, já avisaram que poderão reocupar as sedes do Incra e do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), órgão do governo do Estado, se até quinta-feira nada for decidido sobre a Fazenda Cupiúba.
A decisão sobre a fazenda, em Castanhal, ocupada por 249 famílias de lavradores há dois anos, foi adiada para a próxima semana após mais de uma hora de reunião na sede Incra, em Belém. No encontro, dirigentes do Iterpa e do próprio Incra descartaram a realização de uma vistoria conjunta de técnicos dos dois órgãos na fazenda para o início do processo de desapropriação e demarcação dos lotes.
O Iterpa descobriu que dois títulos de posse da fazenda, com 900 hectares, poderiam integrar parte do local onde hoje estão acampados os lavradores. "As terras são públicas e os títulos falsos", disse a presidente do órgão, Dulce Leoncy. Os supostos proprietários da fazenda teriam transformado títulos de posse em escritura pública e ampliado a área de 900 para mais de 4 mil hectares.
O Iterpa pretende doar a área aos lavradores, mas o assentamento das famílias seria realizado em parceria com o Incra. O trabalho seria feito através de convênio entre os dois órgãos. Os líderes dos lavradores preferiam que o Incra assumisse integralmente a tarefa.


