Policiais militares cumpriram, na manhã de ontem, a reintegração de posse da Fazenda Ribeirão Bonito, que fica em Abatiá (Norte Pioneiro) e estava invadida desde o último sábado por aproximadamente 100 famílias do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast). A fazenda pertence ao grupo Sadeco, que teve o pedido de reintegração de posse deferido no mesmo dia da invasão.
A Polícia Militar chegou à fazenda por volta das 8h30. Não houve reação dos sem-terra e a PM só interveio após diálogo com os líderes da ocupação. Na última quarta-feira, as famílias invasoras reuniram-se para discutir a decisão judicial de reintegração de posse e resolveram só desocupar a área com a presença da PM.
A ação foi rápida. Em poucos minutos, os 61 barracos foram cercados, os sem-terra desmontaram o acampamento e retiraram os seus pertences. A forte chuva dificultou os trabalhos.
O lavrador José dos Santos reclamou sobre as poucas informações que as famílias receberam do comando do Mast. ''Eu não sabia de nada, as informações que chegam para nós são poucas. Só agora estou sabendo que a terra não é nossa e vamos ter que sair'', disse. ''O jeito é voltar para a casinha que eu pago aluguel, em Santo Antônio da Platina, e continuar sonhando com a minha terrinha.''
O advogado da Sadeco, Alexandre Almeida, disse que o melhor caminho para a execução da reforma agrária é pressionar o Incra. Invasões, segundo ele, só criam problemas para o governo estadual e para os proprietários. O Incra não se incomoda com invasões.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lacerda, concorda. ''As invasões não têm bons resultados no processo de reforma agrária. Temos dificuldades burocráticas mas não é com esse tipo de ação, visando nos pressionar que o problema será resolvido.''

Na rodovia - Parte das famílias voltou para as margens da PR-439, que liga Santo Antônio da Platina a Ribeirão do Pinhal, onde o Mast mantém acampamento há mais de um ano. Segundo a PM, as outras famílias foram levadas, em caminhões cedidos pelos proprietários da fazenda, para locais determinados pelo Mast - o ginásio de esportes de Jundiaí do Sul, para a cidade de Guapirama e Ribeirão do Pinhal.
As demais famílias voltaram para as suas cidades de origem ou para outros acampamentos do Mast. ''O fim desse acampamento não significa o fim da nossa luta, que vai continuar. Até o dia 15 de janeiro vamos ter uma conversa com o governador Roberto Requião (PMDB) e queremos uma definição para o nosso povo'', disse Áureo César, um dos coordenadores do Mast no acampamento.
Segundo dados do Incra, a Fazenda Ribeirão Bonito é produtiva e tem cerca de dois mil hectares. De acordo com o governo do Estado, desde 2003 foram desocupadas 148 áreas invadidas por sem-terra no Paraná.

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