Xambrê - A Polícia Militar cumpriu ontem a segunda ordem de reintegração de posse de terras invadidas na região de Umuarama. Cerca de 12 famílias que estavam acampadas na Fazenda Santa Isabel, em Xambrê (22 quilômetros a oeste de Umuarama) foram obrigadas a sair da propriedade. A polícia usou um aparato de mais de 100 homens e 20 viaturas dos batalhões de Cruzeiro do Oeste, Maringá e Paranavaí, mas não houve resistência. O grupo deixou a fazenda pacificamente e voltou a acampar na margem da Estrada Cascata.
O Grupo Xambrê, como é conhecido, tinha invadido a Fazenda Santa Isabel, em Xambrê e a Fazenda Santa Filomena, em Vila Alta (74 quilômetros a noroeste de Umuarama). Quinta-feira, a polícia retirou as cerca de 100 famílias que estavam na Fazenda Santa Filomena. Cerca de 40 famílias acamparam em Porto Figueira. Outra parte preferiu abandonar o movimento e voltar para casa. O grupo Xambrê não tem ligação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É formado por ex-ilhéus do Rio Paraná e bóias-frias da região.
A fazenda Santa Isabel tem 56,4 alqueires e pertence à pecuarista Maria Lúcia Petenucci, de Xambrê. A ordem de reintegração de posse foi concedida pelo juiz Fábio Caldas. Segundo a Polícia, cerca de 40 pessoas estavam nos 12 barracos construídos dentro da propriedade. O grupo parece ter ficado sem liderança e sem rumo. Pelo menos quatro famílias disseram que abandonariam o movimento e voltariam para casa. Sebastião Rufino dos Santos, que se intitulava o líder o grupo, está desaparecido desde a desocupação da Fazenda Santa Filomena.
A transferência de famílias de ex-ilhéus da Fazenda Santa Filomena para Porto Figueira não preocupa a direção do Parque Nacional de Ilha Grande. Segundo Paulo Machado, do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Guaíra, é pouco provável que os sem-terra cumpram as ameaças de invasão do parque. ''Eles foram bem orientados de que a invasão de uma reserva ambiental só complicaria a situação deles''.

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