São José dos Campos, SP, 23 (AE) - As 98 famílias de sem-terra acampadas desde setembro de 98 na fazenda Santa Rita, em São José dos Campos, a 90 quilômetros de São Paulo, deixaram a propriedade hoje. Havia um mandado de reintegração de posse da fazenda, que não chegou a ser cumprido. Os lavradores saíram para que os técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) fizessem a vistoria técnica para verificar se a terra é produtiva. Ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) , eles invadiram outra área vizinha ao acampamento. Quando a polícia chegou, a nova propriedade já havia sido ocupada.
A proprietária da fazenda, Dalva Gomes, diz que foi avisada da invasão às 6h da manhã. Ela afirma que a área é da fazenda Santa Clara, de propriedade de sua família. Mas o líder do sem-terra, Manoel Neto discorda. "Não temos interesse na Santa Clara, que tem apenas 14 alqueires, aqui é a fazenda Balança", contesta Manoel Neto. Paulo Nunes, também proprietário da Santa Clara, entrou hoje na Justiça pedindo a desocupação da terra.
A fazenda Balança tem 650 alqueires. De acordo com o líder do MST, cerca de 300 pessoas ficarão no novo local até que o Incra resolva a desapropriação da fazenda Santa Rita. O primeiro laudo da vistoria sai em 10 dias, de acordo com o engenheiro do Incra Sinésio Sapucai.
Cerca de 30 policiais militares acompanharam a vistoria . Segundo o padre Rogério Augusto, da Pastoral do Mundo do Trabalho, que tem apoiado as ações do MST, a nova invasão só ocorreu porque as famílias ficaram inseguras quanto ao retorno à Santa Rita, pois acreditaram que após a vistoria a desocupação ocorreria, sendo impedidos de voltar. O MST deve ficar acampado na fazenda Santa Clara por mais 30 dias, prazo para que o Incra decida sobre a desapropriação.

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