Curitiba- Integrantes do movimento Via Campesina começaram ontem a deixar a fazenda experimental da empresa multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, invadida há mais de um ano. A saída dos sem-terra teve início justamente no último dia estipulado pela Justiça para que o governo do Estado desocupasse a área. Caso isso não acontecesse, o governador Roberto Requião (PMDB) teria que pagar, pessoalmente, multa diária de R$ 2 mil.
Segundo Celso Ribeiro Barbosa, membro da coordenação estadual da Via Campesina, o movimento decidiu retirar as cerca de 70 famílias que ocupavam a fazenda por causa das constantes determinações judiciais para a desocupação da propriedade. Desde que a área foi invadida, em 14 de maio do ano passado, quatro decisões ordenaram a desocupação.
Ontem pela manhã, quando chegou ao local um oficial de Justiça da 1 Vara Cível de Cascavel, cujo juiz, Fabrício Priotto Mussi, determinou a desapriopriação, os sem-terra pediram um prazo de sete dias para desmontar o acampamento e retirar da fazenda o que vinham produzindo.
Barbosa contou ainda que as famílias serão levadas para o assentamento Olga Benário, no mesmo município. E garantiu que a Via Campesina vai continuar sua ''luta para que a fazenda seja desapropriada''. A alegação do movimento, semelhante à do governador Roberto Requião, é que a Syngenta não poderia fazer experimentos com sementes transgênicas na área, já que ela estaria na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu.
Ontem pela manhã, durante a reunião do secretariado, Requião criticou a decisão judicial e lembrou que a Syngenta foi proibida de fazer pesquisas com transgênicos em outros países. ''Eles (Syngenta) foram multados pelo Ibama. O Ministério Público não fez nada. Aqui no Brasil, a Syngenta faz no nosso quintal o que não pode fazer em qualquer lugar da França'', afirmou.
Requião, que assinou decreto tornando a fazenda área de utilidade pública, salientou que queria no local uma Escola de Agroecologia. Mas foi impedido por decisão judicial. ''Resolveram impor multa porque é uma multinacional. O Paraná tem hoje entre 80 e 100 propriedades ocupadas. Mas são de brasileiros. Não houve multa para desocupar qualquer delas. A multa é para quem ignora o Brasil, suas regras e suas leis'', afirmou. A reportagem entrou em contato com a assessoria da Syngenta e com os advogados da empresa, mas não obteve resposta.(Colaborou Luciana Pombo)

mockup