Sem-terra desocupam área do Incra em Pernambuco
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por ¶ngela Lacerda 
Recife, 26 (AE) - Os cerca de 50 sem-terra ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) que se encontravam há 10 dias no pátio interno do Incra decidiram hoje deixar o local depois de uma reunião com representantes do Incra e Polícia Federal.
Antes, eles se amarraram uns aos outros, com cordas, como uma forma simbólica de mostrar que não sairiam. Eles querem mais rapidez no processo de desapropriação do Engenho Passagem, em Aliança, na zona da mata, e pretendiam ficar no Incra até que a documentação fosse enviada a Brasília. A previsão é de que isso ocorra dentro de aproximadamente um mês. Há dois meses, eles passaram 38 dias acampados na calçada defronte ao órgão, pelo mesmo motivo.
Os trabalhadores mudaram de idéia, na reunião, diante da decisão do órgão de tirá-los do local de qualquer jeito. Segundo a assessora da superintendência do Incra, Patrícia Queiroz, também foi dito aos trabalhadores que enquanto eles permanecessem na sede do órgão, nada seria feito em relação ao processo do Passagem. Eles esperavam, no final da tarde, um transporte prometido pelo governo estadual para levá-los de volta ao acampamento.
Os sem-terra estão acampados há 8 meses no Engenho Regalia, pertencente à Usina Aliança, que está desativada. Como este engenho está adjudicado (comprometido judicialmente para pagar débitos trabalhistas), o Incra prometeu assentar os trabalhadores no Engenho Passagem, também de propriedade da usina, que tem um total de 22 engenhos ocupados por sem-terra da Fetape, MST e Comissão Pastoral da Terra (CPT).
O líder do grupo que ocupou o Incra, Guilherme Mendonça, afirmou que a resistência dos trabalhadores em voltar para o Regalia é devido ao temor da fome e das ameaças de morte que recebem de homens armados a mando da usina. "Além disso, a gente não está mais confiando no que o Incra promete", disse.


