Curitiba - Os trabalhadores rurais sem-terra que haviam ocupado a estação experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Xambrê (22 quilômetros ao oeste de Umuarama), no final da tarde de sábado, deixaram pacificamente a área ontem. As cerca de 30 pessoas pertencentes ao grupo Xambrê retornaram para o acampamento onde estavam, em frente à Fazenda Rancho Baraldi, a cerca de três quilômetros da estação.
Essa é a segunda invasão promovida pelo grupo na sede do Iapar. Em abril, cerca de 30 famílias ocuparam a área por cinco dias e teriam saído de lá com a promessa de que receberiam lonas e alimentos. Na área de 90 hectares são feitas pesquisas com café, algodão, amora, pastagens e adubos naturais.
A Polícia Militar havia estado no acampamento no domingo e deu prazo até as 9 horas de ontem para os sem-terra desocuparem a área. Ontem, 70 policiais militares foram até a fazenda do Iapar para acompanhar a desocupação e fazer uma operação de desarmamento. A operação foi comandada pelo tenente-coronel Joel Pinheiro, comandante do 7º Batalhão de Cruzeiro do Oeste. Segundo ele, cinco policiais com duas viaturas permanecem no local para evitar novas invasões.
A Polícia Civil também acompanhou a operação de desarmamento. Segundo o delegado titular de Xambrê, Fernando Ernandes Martins, nenhuma arma foi encontrada com os sem-terra. No entanto, na Fazenda Rancho Baraldi, foram apreendidoss uma espingarda calibre 12, uma carabina Winchester calibre 22, com pente de 12 disparos e silenciador, uma garrucha calibre 28 e um revólver calibre 38. No alojamento de funcionários da fazenda, a polícia encontrou pequena quantidade de maconha, sacola com munição e capuzes.
Dois empregados e um dos donos da fazenda prestaram depoimento e foram liberados. Eles deverão responder a processo por porte ilegal de armas. A polícia está investigando a procedência das armas apreendidas. O delegado suspeita que não tenham registro.
O presidente do Iapar, Onaur Ruano, negou ontem que prometeu benefícios materiais para os invasores da Estação Experimental da instituição em Xambrê. Ele condenou a invasão, pois as pequisas desenvolvidas naquela unidade são destinadas, justamente, a gerar tecnologia para a agricultura familiar, inclusive para os assentamentos. Um dos projetos, segundo o Iapar, é o que visa a recuperação de solos degradados, um dos principais problemas na pequena propriedade, hoje.
Outros integrantes do grupo Xambrê que estão acampados, desde de dezembro do ano passado, às margens de uma rodovia conhecida como Estrada 30 , em Vila Alta (74 quilômetros a noroeste de Umuarama), ameaçaram invadir o Parque Nacional de Ilha Grande, na semana passada.

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