Recife, 10 (AE) - Os cerca de 200 trabalhadores sem-terra acampados há seis dias nas calçadas e ruas próximas à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife, retornaram hoje a seus acampamentos e assentamentos na Zona da Mata e Agreste do Estado. A decisão foi tomada após uma assembléia comandada pelo líder estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Jaime Amorim.
Segundo Amorim, só após a reunião de terça-feira com o superintendente regional do Incra, Roosevelt Gonçalves, os sem-terra vão definir o que fazer. "Nesse dia é que a gente deverá saber, ao certo, o que será feito na área de reforma agrária neste ano", disse.
Ele adiantou que os trabalhadores não ficarão parados se o governo federal concretizar a intenção de extinguir os créditros especiais de custeio e investimento para os assentados. "Mas, por enquanto, vamos aguardar", afirmou. Reunião - Amorim participou do encontro da direção nacional do movimento com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, em Brasília, na tarde de ontem, e disse que, apesar de o ministro afirmar que está tudo bem, sua certeza é a de que a reforma agrária não avançará com os anunciados cortes no orçamento do Incra. O coordenador disse que o MST foi informado de que essa redução será de 71%, sendo que o corte específico para desapropriações poderá ficar em 94%. "Com isso o Brasil inteiro disporá de apenas R$ 44 milhões para desapropriar neste ano", avaliou. "Isto mal dá para um só Estado".
Os sem-terra ocuparam as calçadas do Incra um dia depois de terem sido retirados, por força de ação de reintegração de posse, da sede do órgão, invadida na quarta-feira passada, quando cerca de cem funcionários foram feitos reféns.

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