Sem-terra deixam fazenda Taba antes da chegada da PM para despejo
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 25 (AE) - As cerca de 600 famílias de sem-terra que ocupavam há dois meses a fazenda Taba, na ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, deixaram a área. Quando a Polícia Militar do Pará chegou ao local hoje, com cerca de 450 homens, bombas de gás, escudos, cães e armas pesadas para o despejo, encontrou apenas 42 famílias, com muitas crianças, que já se retiravam.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) esvaziou a mobilização policial retirando a maioria dos agricultores, que engrossaram a manifestação de outros 900 sem-terra que ocupam fazendas do município de Castanhal. Eles estão chegando a Belém, marchando pela rodovia BR-316 para, segundo o movimento, ficar na cidade por "tempo indeterminado". Os despejados da Taba e os lavradores de Castanhal ficarão acampados numa praça no bairro de São Braz.
O trabalho dos policiais militares foi vasculhar toda a área da fazenda Taba, de 900 hectares, para remover a madeira dos barracos derrubados pelos lavradores e vasculhar a mata para verificar se todos haviam deixado o local. O major Francisco Ferreira da Silva disse que cerca de 30 policiais ficarão na área para evitar "nova invasão".
Um dos líderes do MST na fazenda Bacuri,em Castanhal, Antonio Ferreira, disse que o movimento ainda está avaliando o despejo das famílias da Taba. "A gente só está esperando a marcha chegar ao centro de Belém para decidir o que fazer".
Massacre - O juiz Ronaldo Valle anunciou em Belém que os 150 policiais militares acusados de matar 19 sem terra em Eldorado dos Carajás, em abril de 96, serão julgados a partir do dia 16 de agosto. As 27 sessões do Tribunal do Júri para julgar todos os envolvidos no massacre serão às segundas e sextas-feiras e devem acabaer em 3 de dezembro.
O primeiro a ser julgado será o coronel Mário Pantoja, acusado pelo Ministério Público de ordenar o massacre. O governador Almir Gabriel(PSDB), o secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara, e o ex-comandante-geral da PM, Fabiano Lopes
foram arrrolados como testemunhas dos militares e serão notificados pelo juiz a comparecer a todas as sessões. //FIM/RGR/REDAEGER/


