As 600 famílias de sem terra que desde o dia 19 de outubro ocupam a Fazenda Rio Verde, em Itararé, no sudoeste do Estado, divisa com o Paraná, começaram a deixar a área ontem à tarde, transferindo os barracos para a estrada de terra que margeia a propriedade. Com a saída das famílias, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deve iniciar hoje a vistoria da fazenda de 3.800 hectares, atendendo a pedido do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que deseja a desapropriação para reforma agrária.
‘‘Estaremos a um metro da cerca e, se a vistoria não sair, entramos de novo’’, ameaçou o coordenador regional do MST, Delwek Matheus. Além da Rio Verde, os sem-terra exigem que o Incra vistorie, na sequência, as fazendas São Luís, em Itaberá, Lenisa, em Itararé, e São Marcos, em Itapeva, todas na mesma região.
A desocupação começou à tarde, quando os sem-terra desmontaram os barracos e começaram a transferência para a estrada. A lenta retirada era acompanhada pela equipe do Incra, que desde as 15 horas já estava no interior da fazenda. ‘‘Mas nosso pessoal só começa a vistoria depois que sair o último invasor’’, afirmou o superintendente adjunto, Moyzés Schenker.
De manhã, em audiência com a juíza Elizabeth Kazuko Ashikawa, os sem-terra tentaram conseguir mais um prazo de 48 horas para a desocupação da área, mas o advogado Douglas José Thomass, que requereu o despejo, não concordou. ‘‘Eles não precisaram de mais que duas horas para fazer a invasão’’, argumentou.
O coordenador do MST, Delwek Matheus, acabou concordando com a desocupação desde que o Incra iniciasse de imediato a vistoria. Ao saber da ameaça de nova invasão, Schenker reagiu: ‘‘Se tiver algum mágico fazendo esse trabalho em três dias, eu quero conhecer.’’ Segundo ele, o processo leva pelo menos uma semana. ‘‘Nosso pessoal não vai fazer nada sob pressão ou ameaça’’, disse.
Com a concordância do advogado, a juíza decidiu suspender a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar enquanto estiver ocorrendo a desocupação voluntária. Mas Thomass disse que voltará a requerer força policial se a saída dos sem-terra não terminar hoje. A desocupação da fazenda começou depois de 22 dias de tensão na região que já foi destaque em produtividade agrícola no Estado.
O advogado Thomass disse ontem que também fará uma vistoria na área, a pedido do proprietário Roberto Maschietto. Ele vai entrar com ação na Justiça contra o MST e a União na tentativa de obter indenização pelos prejuízos causados pelos sem-terra à propriedade, que calculou em cerca de R$ 1 milhão. O proprietário declarou ao Incra que a fazenda tinha, quando foi invadida, de 2.800 a 3 mil cabeças de gado e cerca de mil hectares cultivados com milho e feijão.

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