Sem-terra deixam fazenda de FHC; 16 líderes são presos
BuritisA fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi desocupada ontem de manhã. A Polícia Federal prendeu 16 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que foram levados para a superintendência da instituição em Brasília.
Por volta de 7h30, todos foram rendidos, após passar por uma revista, algemados e deitados no chão, da sede da fazenda. Não houve reação por parte dos sem-terra e nem violência da PF. A prisão ocorreu depois de os manifestantes terem acompanhando os agentes em uma vistoria pela casa do presidente, para verificar algum estrago ou extravio de objetos.
A maioria dos sem-terra foi levada em quatro ônibus para Buritis, onde uma comisssão do MST se reuniria com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. O coordenador regional do MST, Gilmar de Oliveira, contou que foram negociadas duas exigências para a saída pacífica da fazenda.
A primeira é eliminar qualquer processo judicial contra integrantes do movimento e a segunda, a audiência com o ministro Jungmann.
A desocupação ocorreu três horas depois da chegada de 20 caminhões com fuzileiros do Exército, quatro ambulâncias, carros do Exército e da Polícia Federal para reforçar a segurança na fazenda que vinha sendo feita por 70 homens da Polícia Federal, após a invasão.
Foi estabelecido um plano de guerra, reclamou Gilmar de Oliveira, repetindo que o governo Fernando Henrique mais uma vez usa a força contra os movimentos sociais.
Para ele, o emprego do Exército e da PF para expulsar o MST em uma fazenda particular (da família do presidente) pode abrir um precedente: outras pessoas poderão pedir ajuda federal para desocupar uma propriedade particular invadida.
Oliveira também ressaltou que, desde segunda-feira passada, os sem-terra estavam mobilizados em Buritis e chegaram a fazer caminhadas pela cidade, distante 70 quilômetros da fazenda da família do presidente.
A invasão da fazenda foi decidida na sexta-feira. Parece que o sistema da Polícia Federal que tem sede em Buritis falhou, disse, observando que uma equipe específica de agentes é mantida na cidade para acompanhar o MST na região.
Oliveira explicou que o MST decidiu invadir o Córrego da Ponte, para forçar a negociação direta com quem realmente tem poderes para decidir a reforma agrária. O governo havia anunciado que mandaria para a região o ouvidor agrário nacional Gersino José da Silva. Mas o MST queria mesmo conversar com o ministro Jungmann.
Os 16 líderes do MST serão processados por pelo menos seis crimes, entre eles o de cárcere privado, considerado inafiançável. As penas variam de um mês a quatro anos de detenção. Ontem à tarde, todos começaram a depor na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ficaram presos.





