Cascavel Aproximadamente 200 policiais militares de Cascavel e região dirigiram-se, na manhã de ontem, à Fazenda Alvorada, em Lindoeste (50 km ao sul de Cascavel), para determinar a reintegração de posse das terras. Quando os policiais e os oficiais de justiça chegaram ao local, não encontraram os invasores, que haviam deixado a fazenda durante a madrugada. ''Chegamos e não encontramos mais ninguém, só os barracos abandonados'', relatou o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar de Cascavel, Nelson João Casaroli.
Na madrugada de ontem, os cerca de 300 sem-terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MTR) reuniram-se na sede da fazenda e acabaram decidindo pelo abandono do acampamento antes da chegada da polícia, às 9 horas. Eles haviam invadido as terras na segunda-feira e destruído uma das três casas de funcionários para utilizar a madeira na construção dos barracos. Segundo os policiais, outra casa foi incendiada e animais foram mortos para o consumo. Os invasores ainda bloquearam a entrada da fazenda com a derrubada de árvores e proibiram o acesso de pessoas ao local.
Os policiais vasculharam as terras durante toda a manhã mas não encontraram ninguém. Segundo o comandante Casaroli, as famílias ainda devem estar nas proximidades da fazenda. ''Deixar o local assim, de madrugada, não passa de uma estratégia do movimento'', considerou. A Polícia Militar autorizou a permanência de 30 policiais para realizar a segurança da fazenda durante a noite de ontem para evitar uma nova invasão, que teria sido prometida pelos integrantes do MTR.
Depois da desocupação, funcionários da Fazenda Alvorada atearam fogo aos barracos construídos pelos invasores. De acordo com Juraci Bortoloto, advogado do ex-deputado federal e dono da Fazenda Alvorada, Edi Siliprandi, a família possui uma relação com os nomes dos ocupantes e irá pedir uma providência à Justiça. ''Esses sem-terra não passam de criminosos'', disse o advogado.
Para o secretário de Segurança Pública do Estado, Luiz Fernando Delazari, os invasores devem ser indiciados por prática de esbulho possessório, ou seja, o ato violento de desapossar uma pessoa daquilo que lhe pertence. Esta foi a terceira invasão na Fazenda Alvorada. Nas outras duas ocupações, os invasores também deixaram o local pacificamente.

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