Agência Estado
De Porto Alegre
As 400 famílias de sem-terra que ocupavam a Fazenda Capivara, em Hulha Negra, município da região da Campanha gaúcha, deixaram o local pacificamente ontem. Embora uma decisão judicial garantisse a presença deles na fazenda ‘‘por tempo indeterminado’’, o grupo resolveu abandoná-la depois de acordo firmado com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul. A área havia sido ocupada no dia 12.
Por meio do acordo, o Incra comprometeu-se a assentar 200 famílias nos próximos 30 dias. Uma das maiorias queixas dos colonos sem-terra é o atraso no cronograma do instituto para o RS. O Incra deveria assentar 1,2 mil famílias em 1999 no Estado, mas, no oitavo mês do ano, não assentou nenhuma. O governo estadual assumiu a incumbência de conseguir lotes para mais 40 famílias no mesmo período.
O Incra também anunciou a retomada das vistorias de terras na região de Bagé dentro de 45 dias. Anteontem, o desembargador de plantão do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, Rui Portanova, acatara agravo de instrumento encaminhado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul, suspendendo a reintegração de posse da fazenda, determinada pela Justiça de Bagé. O argumento básico foi que a propriedade, segundo a Constituição, deve ter uma função social e que os governos estadual e federal precisavam de tempo para achar uma saída pacífica.
Irritados com a decisão da Justiça e o acordo fechado com os sem-terra, os fazendeiros de Bagé, município ao lado de Hulha Negra, reagiram prometendo boicotar a Expointer, exposição de animais e máquinas agrícolas que acontece no fim do mês em Esteio (RS).
O secretário de Agricultura do Estado, José Hermeto Hoffmann, acha que a conexão entre os dois assuntos é descabida. ‘‘Quem produz não teme a reforma agrária.’’

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