Paulo WolfgangMesmo com a desocupação, seguranças mantêm a área sob vigilânciaIBIPORà - As 23 famílias de trabalhadores sem-terra que estavam acampadas na fazenda Nossa Senhora da Salete em Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina) desde setembro do ano passado, desocuparam a àrea na madrugada de ontem. Na presença oficiais de justiça e da Polícia Militar as famílias foram levadas para a fazenda Ingá, em Alvorada do Sul (a 50 quilômetros de Ibiporã), ocupada irregularmente por outras 52 famílias desde 1991. O conflito entre os lavradores e os proprietários da fazenda ocorreu anteontem quando seguranças dispararam uma série de tiros contra os sem-terra. Um dos donos da fazenda, Arlindo Fuganti, disse que a decisão de expulsar os sem-terra da área foi tomada porque a Secretaria de Segurança Pública não havia cumprido a reintegração de posse concedida pela Justiça em novembro do ano passado. Ele acusou ainda os sem-terra de terem destruído as cercas da fazenda e acabado com o pomar e a criação de peixes. ‘‘Eles não são agricultores sem-terra, mas sim invasores que estão transgredindo a lei’’, disse.
O secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Manoel Martins de Oliveira, admitiu que recebeu uma carta do proprietário e que chegou a conversar com Fuganti. ‘‘Eu pedi a ele que mantivesse a calma e a tranquilidade’’, contou.
Apesar de ter feito ameaças aos sem-terra, dificilmente o proprietário poderá sofrer alguma punição. O artigo 502 do Código Civil, que é de 1917, permite aos proprietários o uso da força quando tiverem suas propriedades invadidas. Lideranças do MST de Londrina reuniram-se no começo da tarde de ontem e anunciaram que voltarão à fazenda para terminar a colheita do milho.
‘‘Se eles voltarem, nós estaremos esperando na nossa propriedade e vamos defendê-la de acordo com o que a Constituição nos permite’’, avisou Arlindo Funganti.

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