Sem-terra decidem resistir a ordem de despejo e tensão aumenta no Pará
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 29 (AE) - As cerca de 60 famílias de sem-terra que há três meses ocupam a Fazenda Jupará, no município de Tailândia, sudeste do Pará, estão montando barricadas para resistir a ordem de despejo expedida pela Justiça. Os sem-terra afirmam que não vão sair da área e prometem reagir à bala, como fizeram ontem (28) quando um oficial de Justiça tentou cumprir a liminar de reintegração de posse em favor da Laminadora Estrela, Comércio e Exportação Ltda. A empresa afirma ser proprietária da fazenda de 3 mil hectares. Os sem-terra dizem que a área é do Estado e foi grilada. O clima no local é tenso.
Ontem, funcionários da empresa, armados de espingardas e revólveres, tentaram expulsar as famílias, tendo em maõs a ordem de despejo assinada pelo juiz Paulo Roberto Ferreira Vieira. Houve troca de tiros mas ninguém ficou ferido. Em maio, na primeira tentativa de despejo, cerca de dez homens da Polícia Militar de Goianésia, município vizinho, entraram na propriedade fazendo disparos contra as barracas dos lavradores, segundo os sem-terra. De acordo com José Maria da Silva, um dos líderes dos trabalhadores rurais, os PMs não apresentaram nenhuma ordem judicial. A ação causou pânico nas mulheres e crianças que vivem na fazenda. "Eles foram pagos pela empresa para expulsar a gente", acusou Silva. Os policiais foram denunciados à Secretaria de Defesa Social e à Corregedoria da Polícia Militar do Estado.
De acordo com Silva, as famílias não são ligadas a qualquer movimento social organizado e estão na área porque precisam da terra para plantar. "Essa fazenda não é deles. É área grilada do Estado", afirmou, acrescentando que pistoleiros teriam sido contratados para matar os lavradores que organizam a resistência das famílias. Advogados da Estrela afirmam possuir a escritura de compra e venda da fazenda lavrada pelo cartório do município de Acará. Eles dizem que têm autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para executar um projeto de manejo de madeira na reserva florestal da fazenda.
O Instituto de Terras do Pará (Iterpa), porém, informou não existir nos arquivos do órgão qualquer título de propriedade em nome da Estrela e nem de qualquer das pessoas apontadas na escritura como ex-donas da fazenda. De acordo com o Iterpa, a área pertence ao Estado.


