Anhembi, SP, 16 (AE) - As 1.200 famílias de sem-terra que ocupam desde o dia 21 de junho a fazenda Boa Esperança, em Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, fazem uma assembléia no domingo (18) para decidir se deixam a propriedade. De acordo com o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, a assembléia vai discutir a permanência na fazenda até que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) localize áreas devolutas na região ou a saída para um novo acampamento, em local ainda não definido. Há possibilidade de ocupação de outra propriedade, segundo ele.
Caso os sem-terra decidam permanecer na fazenda, a 12ª Companhia de Policiamento Militar de Botucatu fará o despejo na terça-feira pela manhã, informou o comandante, major João Francisco Antunes. A desocupação foi determinada por liminar, concedida no dia 22 de junho pela juíza de Conchas, Lígia Cristina Possas, em favor do proprietário da terra, Osvaldo Calcidoni.
Até hoje o fazendeiro mantinha a disposição de não dar mais prazo para a permanência dos sem-terra na fazenda. Mas ele teme depredações durante o despejo, como as que ocorreram na fazenda Val de Palmas, em Bauru, onde nove casas. uma serraria e pastagens foram queimadas.
Rodrigues, líder dos sem-terra, disse que a ocupação de outra fazenda será discutida durante a assembléia para evitar um confronto com a polícia. "Se não pudermos ficar aqui, teremos que ir para algum lugar." Essa possibilidade está preocupando os fazendeiros da região. Muitos contrataram seguranças para vigiar suas propriedades. Eles alegam que, desde a instalação do acampamento, estão ocorrendo abates e furtos de bois. O líder dos sem-terra afirmou que , até hoje, nenhum boi havia sido abatido por integrantes do acampamento.

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