Sem-terra decidem deixar acampamento
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sexta-feira, 23 de abril de 1999
Israel Reinstein 
Os sem-terra que estavam acampados desde segunda-feira em frente ao Palácio Iguaçu em Curitiba começaram a deixar o local ontem depois de um encontro de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com governador Jaime Lerner. No início da noite, cinco ônibus com os acampados já tinham se dirigido aos locais de origem e a previsão era de que até a madrugada, o acampamento estaria totalmente desmontado.
Vinte líderes do MST participaram do encontro com o governador. A reunião aconteceu depois da pressão do MST, que ameaçou não deixar a cidade, caso Lerner não recebesse seus representantes, atendendo parte das reivindicações.
O encontro teve a participação dos secretários da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, e de Assuntos Fundiários, José Carlos Vieira, e da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas.
O coordenador do MST, Jaime Callegari, disse que a principal reivindicação dos sem-terra é em relação à segurança, com ênfase ao desarmamento no campo. É preciso acabar com as milícias armadas e com a presença de policiais militares e civis nesses grupos, afirmou. De acordo com o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, a instituição policial não estaria envolvida com as milícias, mas ele não descarta que possa haver excepcionalidades, passíveis de punição pela Secretaria. Callegari pediu ainda que o governo estadual mantenha as blitze no campo.
Os sem-terra pedem o assentamento de 12 mil famílias, ainda em 1999. Queremos R$ 105 milhões para custeio dos assentamentos e R$ 40 milhões para infra-estrutura, disse Callegari. Esses recursos teriam subsídio de 50%, com juros de 6,5% ao ano.
Outra reivindicação é a manutenção do Clique-Luz - a eletrificação nos acampamentos rurais. Segundo Callegari, a totalidade dos 260 assentamentos não tem acesso a luz.
Os manifestantes exigem que o governo estadual não adote o Banco da Terra e o Novo Mundo Rural, programas do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Esse programa coloca nas mãos dos latifundiários a escolha da terra, e seriam eles a ofertar as terras para reforma agrária, disse.


