Porto Feliz, SP, 02 (AE) - Os sem-terra do Acampamento Nova Canudos, em Porto Feliz, a 110 quilômetros de São Paulo, bloquearam hoje (2) à tarde as duas pistas da Rodovia Castelo Branco, na altura do quilômetro 100. O protesto foi contra a não libertação de sete militantes, presos há uma semana na Cadeia Pública do município.
Foi o segundo bloqueio da rodovia em uma semana: na quinta-feira passada, depois de fechar a rodovia, eles saquearam três caminhões de alimentos. As prisões ocorreram em consequência desses saques. Hoje as duas pistas ficaram fechadas das 15 às 16 horas. Um congestionamento de quase 10 quilômetros formou-se na pista em direção ao interior, movimentada por causa do feriado prolongado.
O coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), Delwek Matheus, disse que o bloqueio foi decidido depois que a juíza de Porto Feliz, Daniela Bortoliero Ventrice, impediu a manifestação de um grupo de 50 sem-terra na frente do Fórum. O mesmo local foi palco de manifestações contra a juíza nos últimos dias, mas ela estava ausente.
Hoje a magistrada voltou a dar expediente e não permitiu o protesto, mandando a Polícia Militar isolar a rua. Os sem-terra voltaram para o acampamento, que fica à margem da rodovia. "Se não podemos protestar lá, vamos fazer o protesto aqui", disse Matheus. As pistas foram fechadas com paus e ocupadas pelos militantes. O comandante do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária, tenente-coronel Hélder Pereira, negociou a liberação da estrada. Ele pediu reforço ao Batalhão de Choque da Polícia Militar. Cerca de 100 policiais - 50 da tropa de choque - deslocaram-se para o local.
Em contato com a juíza, a polícia conseguiu que ela concordasse em receber representantes dos sem-terra. "Ela está disposta a receber o coordenador do acampamento", disse Pereira. Os sem-terra deixaram a estrada mas, em assembléia, decidiram recusar a proposta da juíza. "Os companheiros acham que, se eu for sozinho, ela vai me prender, como fez na semana passada com o Gilmar Mauro", disse o coordenador João Paulo Rodrigues.
Mauro, acusado de receptação de celulares furtados da Fazenda Engenho Dágua, recebeu voz de prisão quando foi ao Fórum para uma audiência com a juíza. Ele só foi libertado depois de conseguir um habeas-corpus em São Paulo. Mesmo após a liberação da pista, os policiais permaneceram no local. Segundo Pereira, havia receio de novos bloqueios com saques de cargas.
O policial contou que, durante o bloqueio, os caminhões com alimentos foram retidos pelos rodoviários para prevenir saques. "Interceptamos esses veículos e fizemos com que retornassem pela outra pista."
O coordenador do acampamento afirmou que os sem-terra voltarão à frente do Fórum na sexta-feira, pedir a libertação dos sete presos. "Vamos em grande número para fazer muito barulho", afirmou Rodrigues. A juíza estava em audiência às 18 horas de hoje e mandou avisar que não poderia atender a imprensa.

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