Sem-terra de Anhembi são levados para área do DER
Agência Estado
De Anhembi
As 1,2 mil famílias de sem-terra acampadas desde o dia 23 de julho no centro de Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, começaram a ser transferidas ontem para uma área do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no município de Piracicaba. O terreno, de cerca de 40 mil metros quadrados, fica na beira de uma rodovia e foi definido depois de uma negociação que envolveu a prefeitura, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o governo estadual. Até o começo a noite de ontem, o DER desconhecia as negociações.
Os sem-terra aceitaram a transferência depois que as tropas da Polícia Militar, com apoio do 3º Batalhão de Choque da Capital, posicionaram-se próximo do acampamento para realizar o despejo. A prefeitura colocou 15 caminhões e dois ônibus para transportar as famílias. A transferência continua hoje. A Polícia Militar mobilizou 464 policiais, 86 viaturas e um helicóptero para a operação. A tropa teve o apoio de 60 cavalos e 83 cães.
Militantes do MST, com foices e facões, bloquearam o portão do estádio e acessos do acampamento. A PM isolou a área.
O coordenador nacional do MST Gilmar Mauro informou que os sem-terra iriam para o terreno oferecido pela prefeitura, na beira da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147), que liga Anhembi a Piracicaba, por um período provisório. Se em 60 dias o governo não discriminar as terras devolutas, voltamos para Anhembi. Mauro exigiu também garantia de permanência na área. Quero ter certeza de que amanhã a PM não estará lá para nos despejar. O vereador Mauro Cunha (PSDB), irmão do prefeito local, disse que a área fora cedida pelo DER.
O analista do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Gustavo Giroti Biajoli, disse que o órgão iniciou o trabalho de levantamento das áreas devolutas, que podem totalizar 3,8 mil hectares. Não há garantia de que as terras estejam disponíveis, segundo ele.
O prefeito de Anhembi, Geraldo Conceição Cunha (PSDB), disse que vai avaliar os prejuízos trazidos à cidade durante os 15 dias de ocupação e pedir ajuda ao governador.





