Anhembi, SP, 18 (AE) - As 1.200 famílias de sem-terra que ocupam desde o dia 21 a Fazenda Boa Esperança, em Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, podem transferir o acampamento, amanhã (19), para uma área de 300 hectares pertencente à Companhia Energética de São Paulo (Cesp), no mesmo município. O terreno é remanescente das desapropriações realizadas pelo governo estadual para a formação do lago da Hidrelétrica de Barra Bonita, no Rio Tietê. A área está cedida para a Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós (Esalq), de Piracicaba (SP). Segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, além dessa gleba, a Cesp possui outra ainda maior, de quase 400 hectares, em Piracicaba, também cedida para a Esalq.
Com a transferência do acampamento para uma dessas áreas
os sem-terra ganhariam tempo para esperar que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) localizasse as terras devolutas existentes na região, que somariam quase 4 mil hectares. "Queremos essas terras para o assentamento das famílias", disse Rodrigues. Essa seria, também, uma saída para evitar o despejo, determinado pela juíza de Conchas, Lígia Cristina Berardi Possas, no dia 22. A operação, marcada para terça-feira (20), será realizada pelo 12º Batalhão de Policiamento Militar de Botucatu (SP), caso os sem-terra não deixem voluntariamente a fazenda. A ação foi confirmada pelo comandante, major João Francisco Antunes.

mockup