Sem-terra completam um mês na prisão
DivulgaçãoSem acusação formalArlindo de Matos, Luiz Castorino, Aristides Lisboa, José Calixto, Valdecir Bordignon e (agachado) Lorival Lesse
Sem-terra completam um mês na prisão
Ministério Público e juíza têm opiniões diferentes sobre os lavradores presos durante desocupação de fazenda em Ortigueira
Dimitri do Valle
Os seis trabalhadores rurais sem-terra presos na desocupação da fazenda Santa Maria, em Ortigueira, completaram ontem um mês de prisão. O grupo está recolhido ao presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. Oficialmente, até o momento, os sem-terra não foram acusados formalmente pelo Ministério Público. A promotora de Justiça em Ortigueira, Caroline Teixeira de Sá, pediu o arquivamento do processo ao argumentar que não encontrou motivos para a prisão dos seis agricultores. Sem acusação, eles teriam de ser soltos após dez dias de reclusão.
Mas a juíza Adriana Katsurayama não aceitou o pronunciamento do Ministério Público e remeteu o processo à Procuradoria Geral da Justiça, em Curitiba. O promotor Moacir Gonçalves Nogueira Neto, que assessora o Procurador Geral do Estado, Gilberto Giacóia, em matérias criminais, informou ontem que vai se pronunciar sobre o caso até a próxima terça-feira. Os seis sem-terra presos foram acusados pela Secretaria da Segurança de formação de quadrilha, resistência à prisão, porte ilegal de arma e esbulho (apropriação).
Segundo o promotor Moacir Gonçalves Nogueira Neto, são três as hipóteses que a Procuradoria poderá adotar. A primeira é Gilberto Giacóia não concordar com o pronunciamento da promotora Caroline Teixeira de Sá e designar outro representante do Ministério Público para oferecer a denúncia contra os sem-terra. A segunda tese é a ratificação do pedido de arquivamento do processo que a juíza Adriana Fernandes seria obrigada a acatar. A terceira, que é considerada a menos provável, pode ser a solicitação de novas investigações sobre os supostos crimes cometidos pelos sem-terra. Para o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio, o posicionamento do Ministério Público em Ortigueira comprovou que as prisões feitas na desocupação da fazenda Santa Maria foram ilegais.
Baggio considera que as prisões de outras 35 lideranças, que permanecem encarceradas em Paranavaí, seguiram critérios meramente políticos por parte do governo do Estado. Mas a prisão dos seis líderes sem-terra em Ortigueira foi considerada a mais grave pelo MST. Alguns deles teriam sido submetidos a sessões de afogamento e obrigados por policiais militares a comer esterco. A Secretaria da Segurança nega a acusação. Os sem-terra presos em Ponta Grossa são: Valdecir Bordignon, José Pedro Calixto, Lorival Lesse, Aristides dos Santos Lisboa, Arlindo de Matos e Luiz Castorino.





