As 39 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra que haviam reocupado na terça-feira a Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte (113 km de Paranavaí) começaram ontem à tarde a sair da propriedade. A reocupação quase provocou a quebra no acordo de quatro meses sem invasões e despejos feito entre o MST, Incra e o governo do Estado, que havia sido firmado na semana passada. Com a saída espontânea, o diálogo entre as partes fica garantido. A manutenção do acordo foi resultado de intensas negociações na quarta-feira, coordenadas pelo ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho.
Segundo o MST, os proprietários da fazenda vão permitir a colheita e o cuidado nas lavouras cultivadas pelas famílias em 200 alqueires da Água da Prata. O Incra vai esperar uma proposta dos proprietários para a venda da área. Objetivo é transformar o local em assentamento. As famílias vão ficar alojadas em áreas da cooperativa do MST em Querência do Norte.
O acordo entre MST, Incra e Estado ocorreu depois da morte do assentado Sebastião da Maia, 38, assassinado por jagunços com um tiro na cabeça, em novembro, dias depois da segunda reocupação da Fazenda Água da Prata. No dia do enterro de Maia, em 22 de novembro, a Polícia Militar promoveu o despejo na Água da Prata. Com a prisão, na quarta-feira, de José Ivo Lopes Furquim, 51 anos, acusado de ser o responsável pelo recrutamento dos seguranças da Fazenda Água da Prata, que podem estar envolvidos na morte do assentado, a Polícia de Paranavaí tenta identificar o mandante do crime.

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