Sem-terra cercam fazendas da seita Moon no Pantanal
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
João Naves de Oliveira<br> Agência Estado 
Campo Grande - Quase 2.500 famílias de sem-terra, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estão montando acampamento em frente as entradas principais das fazendas da Associação para Unificação das Famílias e Paz Mundial, presidida pelo norte-coreano Sun Myung Moon, o Reverendo Moon. São 17 áreas em pontos turísticos do Pantanal de Mato Grosso do Sul, das quais apenas uma foi considerada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). É a Fazenda Aruanã, situada no município de Bonito, ocupada há um mês pelo MST.
Desde a semana passada foram montados acampamentos nas fazendas Rodeio, Jacutinga e Nossa Senhora Aparecida, que juntas somam 4.800 hectares, a 16 quilômetros do centro de Miranda. O plano dos sem-terra é cercar as 17 áreas com acampamentos e aguardar a desapropriação, para ocupar cada uma delas, garantem os líderes dos acampados. Na frente da Fazenda Rodeio há 1.300 barracas de plástico, numa extensão de dois quilômetros.
As 17 fazendas são parte de um total de 56, que somam 83 mil hectares, adquiridos pelo Reverendo Moon no Pantanal. O procurador da associação, Neldir Simão Feraboli, explica que nem todas as áreas rurais pantaneiras da associação são consideradas fazendas. ''Nós temos propriedades que envolvem seis mil metros quadrados, são pequenas chácaras.''
A organização, que tem sede estadual na cidade de Jardim, no Pantanal, alertou as autoridades sobre a incômoda e ''perigosa'' presença dos sem-terra. Lembrou que as vistorias do Incra em suas 17 fazendas foram contestadas, com base em levantamentos de técnicos contratados, e espera decisão judicial sobre o assunto.
No setor de Conflitos Agrários do Incra as informações são de que o movimento é pacífico e não deverá causar problemas. Na próxima semana, funcionários do Incra iniciam o cadastro das 2.500 famílias de acampados, como vem fazendo desde junho. Já foram cadastradas 12.930 famílias em 100 assentamentos em 52 municípios de Mato Grosso do Sul. O trabalho de cadastramento ''in loco'' começou logo depois do cancelamento desse procedimento via Correios.


