São Paulo - Os trabalhadores rurais sem-terra bloquearam quatro rodovias do Pará e invadiram quatro sedes do Incra localizadas no Estado. Todos esses atos fazem parte do protesto contra a morte de lideranças ligadas ao movimento, como a irmã Dorothy Stang, assassinada com seis tiros no sábado em Anapu, próximo a Altamira (777 km de Belém).
Ontem, por exemplo, os sem-terra bloquearam a BR-230 mais conhecida por Transamazônica , a BR-222 e a PA-150. Ontem, eles já haviam fechado a PA-160 para o tráfego de veículos. O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Pará (Fetagri), Antonio de Souza Carvalho, o Cajazeira, disse que os sem-terra querem ''sensibilizar'' o governo do Pará.
''Várias lideranças estão sendo assassinadas e esses crimes têm de ser apurados. Todo mundo do caso da irmã Dorothy, mas outros colegas morreram e ninguém está fazendo nada'', disse. Também foram assassinados: o sindicalista Daniel Soares da Costa Filho em Parauapebas , o assentado Cláudio Matogrosso encontrado morto em Anapu. Um outro corpo sem identificação foi achado em uma fazenda em Ipixuna, no oeste do Pará.
Segundo Cajazeiras, 750 trabalhadores rurais foram assassinados na região de 1964 a 2004. Desses crimes, só 37 foram julgados e apenas três pessoas foram presas. ''E todas elas já foram soltas. Agora estão querendo incriminar trabalhadores do movimento.''
Os trabalhadores rurais invadiram hoje as sedes do Incra de Belém, Altamira, Parauapebas e Itaituba. Cajazeiras disse que três das quatro sedes foram desocupadas. ''Vamos ficar apenas na sede de Altamira'', afirmou o sem-terra.
Segundo ele, a invasão das sedes do Incra é para reafirmar a posição da categoria em favor da reforma agrária.

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