Sem-terra de dois acampamentos com cerca de 2.500 famílias ao todo bloquearam ontem duas rodovias federais no Mato Grosso do Sul. Cerca de 400 trabalhadores rurais sem-terra bloquearam no início da tarde a rodovia BR-267, na altura do km 72, município de Bataguaçu, para exigir que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desaproprie duas fazendas localizadas na região, para projetos de assentamento. No bloqueio os sem-terra atearam fogo em pedaços de troncos de árvores e pneus velhos, provocando um congestionamento que até às 16 horas ultrapassava catorze quilômetros, segundo a Polícia Rodoviária Federal. O clima é tenso no lugar, já que muitos caminhoneiros prometem avançar sobre os obstáculos.
O grupo de sem-terra está acampado na altura do km 70 da estrada, a principal via de ligação do Estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Bolívia e Paraguai. Pela rodovia passam diariamente entre oito e dez mil veículos, principalmente carretas.
Os sem-terra exigem a desapropriação das fazendas Santa Clara (12.350 hectares) e Aldêia (11.000 hectares) localizadas na mesma região. Segundo o sub-inspetor Wilson, da Polícia Rodoviária Federal de Bataguaçu, os manifestantes condicionaram a liberação da estrada à presença de representantes do Incra de Campo Grande para negociar a compra das fazendas.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) de Presidente Prudente, Roosevelt Roque dos Santos, que também atua naquela área, enviou ofício ao DNER denunciando os riscos da permanência dos sem-terra no acampamento.
A rodovia BR-163, no sul do Estado, foi interrompida às 9 horas pelos sem-terra do maior acampamento do Estado, com 2.163 famílias, próximo a Itaquiraí. O protesto terminou às 12h30. A polícia organizou um desvio que aumentou o percurso entre Campo Grande e a divisa com o Paraná em 170 quilômetros. O acampamento, à beira da BR-163, é organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que protestava ontem contra o resultado da vistoria divulgada quarta-feira pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O órgão considerou a fazenda Santo Antônio como ‘‘grande propriedade produtiva’’.

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