Sem-terra apanham da PM no Ceará
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Rodolfo Spinola Agência Estado Fortaleza 
Foto de André Lima/Diário do Nordeste/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ConfusãoNo enfrentamento, seis trabalhadores do MST ficaram feridos: acampamento de 2 mil vai continuarSeis sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram feridos ontem em conflito com a Polícia Militar, ao tentar entrar na Assembléia Legislativa do Ceará, em Fortaleza, com um grupo de mais 100 manifestantes. Eles estão acampados há mais de uma semana em frente ao prédio da Secretaria da Agricultura. Os sem-terra foram à Assembléia protestar contra o Governo do Estado, que ainda não liberou recursos para a execução de 80 projetos entregues na Secretaria de Planejamento em julho.
Os policiais militares usaram cassetetes para intimidar - e atingir violentamente os manifestantes - e também deram alguns tiros para o alto. Na correria que acabou surgindo, uma mulher identificada como Maria dos Anjos foi pisoteada. Outra dirigente nacional do MST, Fátima, levou 10 pontos na cabeça, depois de tomar uma pancada de cassetete.
Os líderes dos trabalhadores sem-terra denunciaram a violência da segurança da Assembléia Legislativa. Não tinha ninguém armado, disse o agricultor Raimundo Chaves dos Santos, de Quixadá, um dos mais apanharam. A polícia está despreparada e nervosa, acusou o trabalhador Joaquim Queiroz da Silva, ao dizer que muitos dos soldados chegaram a sacar os revólveres e apontar suas escopetas na nossa direção. O deputado João Alfredo (PT) mostrou, em plenário, uma cápsula de uma bomba de gás lançada contra os manifestantes.
DefesaO comandante do policiamento da Assembléia, coronel Wandemburgo Soares, negou ter usado a força. Não usamos a força; agimos apenas em legítima defesa, porque nossos policiais foram atacados a pedradas pelos manifestantes. Ele informou que parte da confusão foi filmada por câmeras instaladas no prédio.
Após a confusão, o presidente da Assembléia, deputado Luiz Pontes, resolveu permitir a entrada nas galerias e no plenário de uma comissão de 80 trabalhadores rurais, acompanhada pelos deputados oposicionistas Eudoro Santana, Artur Bruno e Barros Pinho. No diálogo que manteve em seguida com os manifestantes, tentando acalmar os ânimos, Pontes garantiu: Aqui todos serão bem recebidos, até mesmo aqueles que cheguem com pedras. Para ele, os trabalhadores que estiveram hoje (ontem) aqui não eram sem-terra, pois todos os sem-terra estão em assentamentos.
Cerca de 2 mil trabalhadores sem-terra estão acampados na frente da Secretaria de Agricultura, esperando resposta do governador Tasso Jereissatti (PSDB) a uma pauta de reivindicações encaminhada pelas suas lideranças na semana passada. Vamos permanecer aqui até que o governador retorne de sua viagem aos Estados Unidos, afirmou Vilanice Oliveira, da direção local do MST, sustentando: Só o governador Jereissatti tem o poder de decisão; estamos cheios de conversar com secretários, que não resolvem absolutamente nada.


