Sem-terra ameaçam retomar fazenda
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná ameaça organizar nova invasão da Fazenda Solidor, no município de Espigão Alto do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná. A área foi desocupada anteontem pela Polícia Militar (PM). A ordem de reintegração de posse, em cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), foi completada ontem.
A PM vai ter que ficar lá indefinidamente porque, se sair, o povo vai voltar, disse ontem à tarde Elemar Cezimbra, coordenador do MST. Em protesto à ação da PM, sem-terra de vários acampamentos e assentamentos da região realizaram ontem manifestações em dois trechos de rodovias e ocuparam a praça de pedágio (liberando a passagem de carros) de Laranjeiras do Sul, na BR-277.
A fazenda de 286 alqueires, de propriedade da família Bonotto, havia sido invadida em 1986 por 36 famílias, e em 95 elas tiveram a posse legalizada pelo Incra, mediante processo de desapropriação. Mas os proprietários não aceitaram negociar os valores da indenização e recorreram ao STF, obtendo o direito da reintegração de posse. É um absurdo, pois tratava-se de uma situação pacífica, sob controle do Incra e, inclusive, com financiamentos liberados regulares obtidos pelas famílias, observou Elemar Cezimbra.
De acordo com o coordenador, o grupo estava apenas esperando a titulação definitiva. Ele disse que o MST exige um pronunciamento do ministro Raul Jungmann (Reforma Agrária) sobre a desocupação. Se o ministro serve para alguma coisa, tem que intervir imediatamente, disse.
O Incra ofereceu uma área para abrigar provisoriamente o grupo na região de Rio Leão, em Laranjeiras do Sul, onde já há um assentamento, com promessa de oferecer posteriormente a área definitiva. O problema é que as 70 famílias já assentadas no local não aceitam a entrada de novo contingente. Eles dizem que não há espaço para todos, relata Cezimbra.
O major Avelino Novakoski disse no final da tarde que as últimas famílias estavam sendo retiradas da propriedade e que a situação era de relativa calma. Os despejados estavam sendo levados, segundo o major, para seus locais de origem, em diversos municípios.
O MST denunciou que casas (algumas de alvenaria) estavam sendo demolidas e que sete carros haviam sido retidos pela PM.
Aproximadamente 400 homens foram mantidos na região pela PM com QG em Quedas do Iguaçu , por causa do clima tenso. Em Quedas do Iguaçu está o maior acampamento de sem-terra em todo o Estado, com 1.200 famílias, em área da empresa Araupel, que já obteve ordem para reintegração de posse. No início da semana eram mil famílias.
Segundo Elemar Cezimbra, 200 sem-terra entraram na área nos últimos dois dias para aumentar a resistência, caso a PM tente o despejo, e para a eventualidade de apoiar a reocupação da Solidor. Ele avisou: Se isso ocorrer vai ser uma guerra mesmo porque os sem-terra não sairão sob qualquer hipótese.
O MST tentava no final da tarde de ontem liberar dez sem-terra que permaneciam presos (outros foram liberados no dia anterior) acusados de resistência, perturbação da ordem e formação de quadrilha.


