Sem-terra ameaçam ocupar áreas
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
Cerca de 100 líderes do Movimento dos Sem Terra do Norte Pioneiro, que não tem ligação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), se reuniram anteontem, em Jacarezinho, com o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Carlos de Araújo Vieira e autoridades estaduais e locais para reivindicar agilidade nas questões relacionadas ao Banco da Terra e apresentar uma série de reivindicações. O governo do Estado foi representado pelo chefe regional da Emater, Maurício Castro Alves.
O movimento ameaça voltar a ocupar áreas no Norte do Estado caso o Incra e o governo do Estado não cumpram os compromissos assumidos com os agricultores. A coordenação do movimento deu um prazo até julho para que as ações sejam concretizadas.
Entre as reivindicações estão a emissão pelo Incra de documentação de posse das fazendas da região que já têm decreto de desapropriação, inclusão das 600 famílias de acampados que já estão cadastradas para o projeto Banco da Terra, a desapropriação urgente de áreas penhoradas pelo Banco do Brasil, inclusive de algumas fazendas que já estão ocupadas pelos agricultores, e o assentamento de 1,4 mil famílias cadastradas para o processo de Reforma Agrária.
Segundo um dos coordenadores regionais do movimento, João Gonçalves, na reunião ficou acertado que em 15 dias o Banco da Terra vai começar a liberar os R$ 24 milhões necessários para que as 600 famílias possam adquirir terras na região. O representante do governo do Estado nos garantiu que nesse período serão encaminhados ao Banco do Brasil os protocolos do projeto para a efetuação dos pagamentos, disse.
Gonçalves também afirmou que o superintendente do Incra assumiu o compromisso de atender às reivindicações do movimento. Assim como nós, ele também disse ser contra invasões e por isso afirmou ser perfeitamente viável atender nossas reivindicações, contou.
O Movimento Sem Terra do Norte Pioneiro existe há mais de 20 anos. De acordo com a coordenação, os integrantes nunca fizeram parte do MST porque as lideranças não concordam com a postura política e ideológica adotada pelo movimento.





