Mais de 10 mil sem-terra, assentados em 21 municípios de Mato Grosso do Sul, confirmaram decisão de intensificar as invasões de fazendas no Estado, para apressar a reforma agrária, considerada por eles muito lenta no Estado. Os sem-terra estavam reunidos desde quinta-feira, 5, num encontro coordenado pelo Fórum da Terra, que congrega a Central Única dos Trabalhadores (CUT), MST e Contag.
Uma fazenda por diaSegundo o coordenador da CUT, Paulo César Farias, com as invasões os sem-terra pretendem pressionar as autoridades a atendê-los. No MS, pelo menos 25 mil famílias ‘‘estão na miséria e prontas para assumir as atividades rurais’’.
Durante os últimos seis dias, seis fazendas foram invadidas pelos sem-terra no MS. A última invasão foi da Fazenda Laguna Teru, ocorrida na madrugada de sábado passado, 7, quando 80 famílias tomaram de assalto a sede da propriedade rural, expulsando do local os moradores. Ontem, eles iniciaram o plantio de milho, feijão e mandioca na fazenda.
Na noite de sexta-feira passada, outras 120 familiares invadiram a Fazenda São João, situada em Paranhos, na divisa com o Paraguai. Os sem-terra, utilizando máquinas do fazendeiro, araram ontem 150 hectares e plantaram feijão. O superintendente regional do Incra, Celso Cestari, disse que as ocupações estão resultando em atraso na implantação de novos assentamentos, porque existem portarias, proibindo vistorias nos imóveis rurais ocupados pelos sem-terra.