RIO BONITO DO IGUAÇU - As 1.800 famílias de sem-terra acampadas na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (a 125 km de Cascavel, Oeste do Paraná), onde duas pessoas foram assassinadas na última semana, estão se discutindo proposta para ampliar a cupação da propriedade do grupo Giacomet-Marodin. A fazenda tem 81 mil hectares e foi invadida no ano passado. A informação foi confirmada pelo padre Afonso Maria das Chagas, de Rio Bonito.
Segundo o padre, até o meio da tarde de ontem uma parte dos acampados era contrária à idéia, mas a proposta pode se consumar de uma hora para outra. Os sem-terra - afirmou o padre Afonso - se dizem insatisfeitos com os 16,7 mil hectares já desapropriados pelo Incra, porque esta área seria suficiente para assentar 800 famílias, enquanto as 1.000 outras teriam que sair do lugar.
O padre Afonso afirmou que os acampados favoráveis à ampliação da invasão estão irredutíveis e não aceitam que o Incra desaproprie apenas uma parte da fazenda. Afirmou também que lideranças do MST teriam ‘‘aconselhado’’ o ministro Raul Jungmann, da Reforma Agrária a munir-se ‘‘de uma barraca’’ caso viesse a Rio Bonito do Iguaçu e não estendesse a desapropriação a toda a área. Mas Jungmann cancelou a viagem, assim como o Incra suspendeu a transmissão de posse marcada para amanhã.
Ontem, apesar da presença do secretário da Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, do diretor da Polícia Civil, Toleb Baleche, e do promotor especial Diego Fernandes Dourado, o clima na fazenda ainda era tenso por causa das investigações dos assassinatos.
O secretário fez duras críticas ao governo federal por causa das ocupações. ‘‘O governo emite decretos em áreas passíveis de desapropriação, o MST ocupa, mas o problema sobra para o Estado, que é obrigado a cumprir reintegração de posse e a conviver com os conflitos’’, reclamou.
Cândido revelou que o Estado investiga o contrabando de armas de grosso calibre e privativas da PM e do Exército, como as usadas contra os sem-terra, mas descartou uma operação de desarmamento naquela região. O secretário acha que essa iniciativa deve partir do governo federal, já que ‘‘é notório’’, como disse, que muitas armas pesadas, ‘‘usadas pelo comunismo até a queda do Muro de Berlim’’ estão entrando no Brasil, como em outras partes.
‘‘Não estou afirmando que há grupos internacionais colocando armas dentro dos acampamentos dos sem-terra, embora todos saibam que muitos grupos estrangeiros financiam o MST’’, disse o secretário.

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