Sem-terra agridem trabalhadores rurais e jornalistas em Luiziana
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quinta-feira, 20 de novembro de 2003
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba - A tentativa de plantio de soja na Fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana (30 km ao sul de Campo Mourão), acabou em confronto. Os sem-terra, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ocupam parte da fazenda desde o dia 28 de abril, agrediram os funcionários do arrendatário da área, Valdomiro Bognar, e dois dos cinco jornalistas que foram registrar o fato.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná divulgou nota repudiando a ação dos sem-terra. O sindicato registra ainda que agentes do Serviço Reservado da Polícia Militar, que estavam na fazenda na hora das agressões, disseram terem recebido a recomendação de apenas ''observar''.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, o secretário Luiz Fernando Delazari pediu apuração rigorosa do caso. O MST divulgou uma nota dizendo que esse caso não pode ser analisado isoladamente da ''armação política dos latifundiários que vem sendo desencadeada nos últimos dias''.
O governo havia feito um acordo com o MST de que os invasores deixariam a área em 10 dias, contados a partir de 19 de agosto. Até ontem nem eles saíram nem o Estado cumpriu a ordem judicial.
Segundo o correspondente do jornal ''Gazeta do Povo'', Dilmércio Daleffe, o arrendatário decidiu plantar a soja ontem, pois está passando o período de plantio e a reintegração de posse não acontece. O trabalho foi tranquilo até as 14h30, quando apareceu um grupo de aproximadamente 300 sem-terra, segundo Daleffe com foices, facões e enxadas. Quando viu que o grupo se dirigia ao trator, correu para fotografar.
Os sem-terra teriam agredido o tratorista sem nem conversar. Eles perceberam que Daleffe fizera fotos e o atacaram. ''Queriam pegar a máquina'', diz. Cerca de 30 pessoas juntaram-se sobre ele. ''Quando não conseguia mais respirar acabei entregando a máquina'', conta. Os sem-terra retiraram o disquete, quebraram o equipamento e devolveram.
O repórter cinematográfico da TV Carajás, Richard Rogers, levou um tapa. Ele teve os equipamentos violados, assim como o fotógrafo do jornal Tribuna do Interior, Hermes Hildebrand. Sid Sauer, do site Boca Santa, também teve os disquetes roubados.


