Sem-terra afirmam ter sido espancados por 'jagunços'
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Dois lavradores sem-terra acampados na Fazenda Bom Sucesso, em Cascavel, denunciaram ontem à tarde agressões físicas e ameaças de morte que teriam sofrido de jagunços que estariam a serviço de fazendeiros da área. Júlio César Pastro, 21 anos, e Alício César Pastro, 21, disseram que foram atacados em uma estrada a 1,2 mil metros do acampamento, por três jagunços, que estavam embriagados, armados com três revólveres e uma espingarda calibre 12, e que lhes desferiram coronhadas, chutes e bofetões.
A violência teria ocorrido anteontem, quando os dois sem-terra retornavam de compras em uma mercearia próxima. Eles estavam em motocicletas, e teriam sido barrados por um Gol branco com placas com numeração encoberta com fita crepe, no qual estavam os três homens, que imediatamente começaram as agressões, também danificando uma das motos. Além disto, teriam esfregado cartuchos de calibre 12 nas narinas de ambos, dizendo que seriam azeitonas preparadas para vocês, e espalhado cachaça em seus corpos.
Pensamos que iriam tocar fogo na gente, disse Júlio César Pastro, que tem um corte e inchaço na parte posterior da cabeça, que seria resultado de uma coronhada. Ele e Alício Lopes Teixeira denunciaram as agressões ontem na 15ª SDP, ao delegado Nobuo Nagasse, e também se submeteram a exame de lesões corporais no Instituto Médico Legal.
No início da semana, coordenadores do MST já haviam denunciado a presença de jagunços na área. Também afirmaram que policiais militares têm sido vistos conversando amistosamente com homens armados por fazendeiros. O major Avelino Novakoski, do 6º BPM, responsável por ações na questão fundiária, disse que os homens armados que estão na área têm porte de arma.
A Fazenda Bom Sucesso, com cerca de 500 hectares, integra um conjunto de propriedades da família Festugatto e foi invadida há 4 meses, por quatrocentas famílias. Há 6 quilômetros, outra fazenda, a Refopas, da mesma família, foi ocupada em maio por igual contingente. Nos dois locais os sem-terra, armados com foices e facões, mantém permanente vigília, principalmente à noite, pois temem ataque de homens armados por fazendeiros da região, ou a chegada da PM, para fazer reintegração de posse, já determinada pela Justiça.





