Sem-terra admite ter participado de invasão
Marília, 15 (AE) - O sem-terra Teodoro Bruns Ferreira, de 74 anos, admitiu ter participado da invasão da Fazenda Jaguar, na quarta-feira, em Rancharia, interior de São Paulo, depois de ser submetido a acareação com o empregado da Fazenda Jaguar, Pedro Figueiredo, a principal vítima do confronto. Na ocasião, sete pessoas ficaram feridas.
A polícia está tentando localizar o coordenador do Acampamento Todos os Santos, Paulo Duarte da Cunha, apontado como um dos principais articuladores da ação. Cunha teria-se queimado durante o confronto e estaria recebendo tratamento médico em outra cidade da região. O acampamento é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O delegado informou que além de uma costela quebrada e um pulmão perfurado, Figueiredo levou uma facada em um dos braços e apresenta escoriações em todo o corpo. Ele suspeita que o ferimento a faca tenha sido provocado por Ferreira.
A polícia já afastou a versão dos sem-terra de que os empregados e seguranças da Fazenda Jaguar tivessem usado armas de fogo para intimidar os acampados. "Ao contrário, pelos depoimentos que temos, os únicos que estavam com armas eram os próprios sem-terra", declarou o delegado.
O delegado de Rancharia acredita que até o fim da semana deverá concluir o inquérito. O policial pretende reunir-se com o juiz e o promotor da Comarca para definir a posição adotada.
Em Tupã (SP), pela primeira vez, uma propriedade agrícola na região foi invadida por sem-terra. Isso ocorreu na manhã de sábado, quando um grupo de 30 famílias chegou à Fazenda água Limpa, no bairro Campinho, às margens do Rio do Peixe, entre os municípios de Quatá, João Ramalho e Bastos.
As famílias são lideradas por dois sem-terra, Mário Ferreira e Cláudio Teotonio, e entraram na fazenda transportadas por caminhão e ônibus, sem encontrar resistência por parte dos dois únicos empregados.
Segundo os líderes da invasão, a ação não tem nada a ver com o MST. Nâo há bandeiras, armas, barracos ou qualquer outra identificação de que pertençam a algum grupo. As famílias são de desempregados vindas de cidades da região como Rancharia, Quatá e alguns de Marília.





