Presidente Epitácio, SP, 11 (AE) - Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra Brasil decidiram, hoje à tarde, adiar por 15 dias a invasão da Fazenda Ponte Funda
da Agropecuária Jubran, em Presidente Epitácio, interior de São Paulo. A posição foi adotada depois que o líder do grupo, Ailson Neres Barbosa, negociou com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o mesmo prazo para a divulgação do laudo sobre a vistoria que o órgão realizou em outubro na propriedade.
Há uma semana os sem-terra vinham ameaçando ocupar hoje a Ponte Funda, em represália a atuação dos seguranças da fazenda que, na sexta feira passada, impediram uma tentativa de invasão a tiros. Ontem, cumprindo determinação judicial, a Polícia Militar realizou uma operação de busca e apreensão de armas no acampamento dos sem-terra e na sede da fazenda, mas nada foi encontrado.
O próprio líder sem-terra se responsabilizou em convencer as cerca de cem pessoas que participaram da assembléia geral a aguardar a divulgação do laudo. Segundo ele, os entendimentos com o Incra envolveram o promotor público de Presidente Venceslau, André Luiz Felício, que representa a Procuradoria da Justiça do Estado nas questões ligadas a reforma agrária no Pontal do Paranapanema. "O Incra, em Brasília, prometeu divulgar o laudo que, acreditamos, deverá declarar a fazenda improdutiva e, portanto, passível de desapropriação para a implantação de um novo assentamento", disse.
Trinta homens da PM passaram o dia acompanhando as ações dos sem-terra. Foram montadas barreiras nas proximidades do acampamento e vistoriados todos os veículos que por ali passaram. Além de dois automóveis apreendidos por irregularidades, foram presos dois pescadores que portavam uma espingarda sem documentação.

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