Sem-terra acusados de torturar agricultores
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terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba- A delegada de União da Vitória, Maria Fátima de Bittencourt, abriu inquérito policial para apurar quais integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que teriam torturado, na manhã de domingo, oito pessoas seis delas integrantes de uma mesma família e dois funcionários de uma fazenda na cidade de Paula Freitas (23 km a leste de União da Vitória). A delegada também espera que seja cumprida a ordem de reintegração de posse da área ocupada pelos sem-terra, determinada pela justiça.
Os sem-terra fazem parte de um grupo de 80 famílias que, há cerca de um ano, ocupa parte de uma propriedade de 400 alqueires que pertenceu ao Banestado, e hoje está sendo disputada na Justiça. Na mesma área, situada na localidade de Colônia Faxinal, há mais de 20 anos vive a família do agricultor José Luiz Estácio, que tem na justiça uma ação por usucapião, para ficar com 86 alqueires da propriedade.
Segundo depoimentos das vítimas, os sem-terra chegaram por volta de 7 horas. Com fios de nylon e cobre, eles teriam amarrado os pés e as mãos de todos os que estavam em casa: o agricultor, sua esposa, duas filhas e um filho, e os dois funcionários da área. Uma hora e meia depois, eles soltaram a mulher e as duas filhas para que fossem chamar João Valter Estácio, irmão de José Luiz.
De acordo com a delegada, durante cerca de três horas os sem-terra torturaram a família com coronhadas na cabeça, tiros de espingarda de chumbo e com queimaduras feitas por faca quente. José Luiz teve o nariz quebrado e seu irmão tem inúmeras marcas de estilhaços de chumbo pelo corpo. Quando a polícia chegou ao local, pouco antes das 10 horas, ainda encontrou os dois irmãos, o menino de 11 anos e os dois empregados amarrados.
''Os sem-terra ainda tentaram forçar um flagrante contra a família, dizendo que as armas era dela'', contou a delegada. A Polícia Militar (PM), segundo ela, resgatou os reféns, que foram levados à delegacia para prestar depoimento, mas não conseguiu identificar nenhum sem-terra como autor dos crimes. No local, foram apreendidas cinco armas.
No domingo à tarde a casa e um barracão da família foram queimados, ficando totalmente destruídos. Os autores devem responder inquérito por invasão violenta de propriedade e crime de tortura.
Os desentendimentos entre os dois lados, segundo Maria Fátima, são antigos. Na delegacia há vários boletins de ocorrência (BO), registrados tanto pelos sem-terra como pela família. A Folha tentou contatar os representantes do MST no Estado, ontem, mas não obteve retorno.


