Os sem-terra que invadiram a fazenda São Benedito, em Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), já consideram negociar a saída do local. Segundo o proprietário da fazenda, o empresário e advogado Newton Carneiro, os sem-terra reivindicam o cadastramento das famílias junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para deixar o local ''pacificamente''.
A fazenda de cerca de 300 alqueires foi invadida na última semana por cerca de 100 a 150 famílias, que seriam membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pela Reforma Agrária no Paraná. O grupo não faz parte do MST, segundo o coordenador regional Luiz Alonso Sales. A reintegração de posse foi concedida na Justiça dois dias depois da invasão.
Segundo Carneiro, a fazenda é produtiva, com áreas de cultivo de café, soja, milho e trigo, e estava sendo negociada para compra pelo Incra. Ontem, o superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, disse que as negociações foram suspensas a pedido do proprietário. ''Já havia sido feita uma vistoria para avaliação e a compra poderia ser feita mesmo com os sem-terra dentro. Mas não há como garantir que a fazenda seria comprada, depende de negociação, do proprietário aceitar o preço'', disse.
Lacerda também questionou a reivindicação dos sem-terra. ''Não é preciso invadir para que o Incra faça cadastramento. Isto é um procedimento rotineiro e quando 'aparecem' acampamentos eles mesmos nos comunicam e a gente faz o cadastramento'', afirmou.
Nas estradas da região existem pelo menos dois acampamentos de sem-terra. Um deles, com cerca de 30 famílias integrantes do MST, em Congonhinhas, na Fazenda Santa Teresinha. O outro, no trevo de Abatiá, com cerca de 40 famílias, é de integrantes do mesmo grupo que invadiu a Fazenda São Benedito. Em todo o Paraná são cerca de 15,6 mil famílias acampadas à espera de áreas para assentamento.

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