Sem-terra acampam em prefeituras do Paraná
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segunda-feira, 02 de julho de 2007
Rodrigo Lopes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Mais de mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acamparam ontem em frente às prefeituras de Cândido de Abreu e Pitanga, na região Centro-Oeste do Estado. A manifestação é para pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a abrir negociações. Eles pedem melhorias na infra-estrutura dos assentamentos da região e liberação de financiamentos para construção de casas e plantio. O superintendente regional do Incra no Paraná, Celso Lacerda de Lisboa, deve se reunir com os manifestantes na quinta-feira.
Os trabalhadores chegaram às sedes das prefeituras no início da manhã de ontem. Em Cândido de Abreu, cerca de 650 pessoas montaram acampamento, segundo Ireno Prochnow, integrante da direção estadual do MST. Em Pitanga, outras 500 pessoas participam do movimento. Eles pedem ao Incra melhorias na infra-estrutura de seis assentamentos da região, com investimentos em moradia, estradas, energia elétrica, água encanada e estrutura social.
De acordo com Prochnow, os manifestantes querem ainda a liberação de créditos por parte do Banco do Brasil, que seriam usados para financiar a construção de moradias e plantio de lavouras. ''O dinheiro para habitação, por exemplo, já está no Banco do Brasil há um ano, mas ele não é liberado porque o Incra não regulariza os assentamentos'', diz o diretor. O MST pede ainda a desapropriação de fazendas na região, que se encontram em processo de negociação.
Prochnow afirma que o objetivo dos acampamentos é pressionar o Incra para que abra diálogo com os sem terra. Na tarde de ontem chegaram a cogitar a possibilidade de entrar nas prefeituras, mas desistiram da idéia. Hoje, eles prometem montar acampamentos também em frente às agências do Banco do Brasil nas duas cidades.
A assessoria de imprensa do Incra informou que o superintendente regional, Celso Lacerda de Lisboa, deve viajar à região amanhã. ''Se ele vier só na quinta, não sairemos daqui antes disso. Vamos manter os acampamentos'', garantiu Prochnow. Ainda segundo a assessoria do Incra, o órgão já vinha atendendo as reivindicações dos assentados da região Centro-Oeste. Mas as negociações e a implantação de projetos de infra-estrutura teriam sido suspensas em maio, quando os servidores do instituto iniciaram uma greve. A retomada dos projetos dependeria do fim da paralisação dos funcionários.


