Luciana Pombo
Trabalhadores sem-terra vindos de diversos municípios do interior do Paraná, além de Belo Horizonte e Rio de Janeiro, acamparam ontem em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Eles fazem manifestação contra a política de desocupação de terras adotada pelo governo do Estado. A maioria participou da Marcha a Curitiba, que partiu de Ponta Grossa no dia 1º.
Os sem-terra se concentraram logo cedo no Parque Barigui e seguiram em passeata até a Catedral Basílica, no centro da cidade, onde foi feito um culto ecumênico em solidariedade ao movimento.
Segundo um dos coordenadores do MST, Roberto Baggio, cerca de 4 mil pessoas irão participar dos protestos e do acampamento até a volta do governador Jaime Lerner, que está nos Estados Unidos para acompanhar o casamento de uma das filhas. Lerner deve retornar no dia 16. ‘‘Só deixaremos Curitiba quando tivermos soluções para a reforma agrária no Paranᒒ, afirmou Baggio.
Os sem-terra reivindicam mudança da postura de desocupações, a libertação das 34 lideranças que ainda estão presas, a exoneração do atual secretário de segurança pública, Cândido Martins de Oliveira, e o assentamento das 7 mil famílias que estão em assentamentos provisórios no Estado.
As desocupações de terra no Paraná começaram a ser feitas há um mês. Até agora, 19 fazendas com mandado de reintegração de posse decretado pela Justiça já foram desocupadas, 41 sem-terra foram presos e outros sete estão com a prisão preventiva decretada. ‘‘Não podemos aceitar esta situação, iremos exigir mudanças’’, afirmou o líder do MST.
Enquanto não há uma negociação, os sem-terra prometem promover diversas manifestações e protestos em pontos variados de Curitiba. ‘‘Iremos discutir como serão feitas as manifestações, mas faremos protestos diários para não deixar que o movimento se enfraqueça’’, argumentou ele.
Ainda ontem, os sem-terra fizeram um novo protesto, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico. Com faixas e cartazes, eles pediram o fim da violência e tortura de sem-terra no interior do Paraná. Ontem, eles acamparam em frente ao Palácio Iguaçu, contrariando a determinação da Prefeitura de Curitiba de que fossem encaminhados para o Parque dos Tropeiros, onde haveria infra-estrutura necessária para a alimentação e higiene.
‘‘Vamos ficar aqui para sermos vistos pela população, estamos em vigília pela reforma agrária e não podemos nos esconder’’, afirmou Baggio. O Parque dos Tropeiros fica a 25 quilômetros do centro da cidade.
A União Paranaense dos Estudantes (UPE) vai realizar manifestação e passeata no dia 17, no centro de Curitiba, em apoio ao Movimento. ‘‘Nós vamos pintar as ruas da cidade com a presença do povo’’, afirmou Fernando Delicato, presidente da entidade.

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